quinta-feira, 4 de novembro de 2010





Você já ouviu algo sobre desassociação? Pois bem, no início deste ano, o Ministério Público do Ceará recebeu uma denúncia inusitada. Um funcionário público federal, ex-seguidor das Testemunhas de Jeová, entrou na Justiça para garantir seu direito de não ser perseguido - nem proscrito - pela instituição. Segundo Sebastião Ramos, 52, “todas as pessoas que saem ou são expulsas da Igreja - por mau comportamento ou por discordar dos dogmas propostos - é terminantemente proibido de ter contado com amigos e familiares que permanecem como seguidores. É como se nós, os desassociados, estivéssemos mortos para as pessoas que amamos”, desabafa.

Nos últimos meses tenho acompanhando a luta deste grupo que tenta denunciar, ao que me parece, um certo tipo de excomunhão. Quando iniciei a pesquisa sobre a desassociação dos membros da Igreja Testemunha de Jeová – movimento que ganha contorno de luta política e judiciária, com forte articulação no nordeste - as pessoas me diziam “ah, Rosiane, ninguém dá bola para isso. Quem é que se preocupa se foi excomungado ou desassociado? É só seguir a vida”. Este até pode ser o caminho para quem é excomungado pela Igreja Católica, mas acredito que a desassociação é algo mais difícil.
Em primeiro lugar não pretendo diagnosticar se os procedimentos religiosos de uma ou outra Igreja são melhores ou piores. Farei a comparação entre a excomunhão praticada pela Igreja Católica e a desassociação das Testemunhas de Jeová, por um motivo simples: é possível que já tenhamos ouvido falar sobre excomunhão. Já a desassociação é um conceito similar, mas que não apenas bane a pessoa do convívio religioso, mas social.
Em linhas gerais, a excomunhão é usada em casos extremos de violação de dogmas e não se tem notícias de que outros católicos sejam obrigados a cortar relações sociais e familiares com o excomungado. Um documento da Organização Católicas pelo Direito de Decidir aponta que médicos, profissionais de saúde e conselheiros tutelares já não levam em conta se são excomungados ou não pela Igreja, nos casos de aborto legal. Enfim, é uma questão que só afeta o próprio seguidor e, à princípio, não gera transtornos em sua vida social. Já a desassociação promove, segundo relato das vítimas, uma ruptura com a estrutura social e familiar do ex-membro. Os desassociados ficam com suas “fichas sujas” e são ignorados se assistirem ou frequentarem, mesmo que o mais distante dos Templos. O nome do “proscrito” é anunciado no púlpito e a partir daí, quem ousar acenar - num simples olá! – recebe a mesma punição.
Para os desassociados, o mais difícil é romper com a família. Ramos ainda relata que o fato é comum com vários ex-seguidores e que as regras da desassociação são extremamente rígidas. “Se não forem obedecidas, ou seja, se algum membro falar ou cumprimentar um ex-membro e for denunciado, será expulso também. E todos temem passar por isso. Há o caso de uma jovem que foi desassociada e que é obrigada a ficar trancada no quarto para não ter contato com outros seguidores das testemunhas de Jeová, quando visitam sua casa”, revela.
O caso está sendo acompanhado pelo Escritório Frei Tito de Alencar, vinculado a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará. Devido ao ineditismo da ação, o Tribunal de Justiça resolveu arquivar a denúncia do MP. Uma campanha contra a desassociação, com direito a out-doors, reportagens e adesão de vários religiosos, está à pleno vapor no Estado. Religiosos de outras denominações se sentem perplexos diante das denúncias. A Procuradoria de Justiça do Ceará, segundo informação da vítima, está recorrendo da decisão. Mais em: http://extestemunhasdejeova.net/forum/


Rosiane Rodrigues é jornalista


3 comentários:

  1. essas informacoes sao fracas, capazes de convencer apenas àqueles q estao privados das suas faculdades de raciocinio. Quem realmente tem conhecimento sobre o assunto, algo q pode ser adquirido tambem atravez de observacao, sabem que isso nao é verdade! Voces estao entre aqueles que jesus disse que assim como o diabo 'nao permaneceram firmes na verdade'.

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  2. Não, Anônimo. Você, sim, que diz que vê, é que tem permanecente em si o pecado. Quem REALMENTE tem conhecimento IMPARCIAL, DESPRECONCEITUOSO E BILATERAL do assunto da desassociação, sabe que as denúncias procedem! Você é que está entre aqueles muitos que não "confessaram a Verdade, porque têm medo de serem expulsos da sinagoga"!!

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  3. Anônimo, se você tivesse, por exemplo, 17 anos de idade, fosse membro não-batizado das Testemunhas de Jeová, filho de pais Testemunhas, e, enquanto nesta situação na vida, resolvesse não mais seguir a religião dos seus pais, daí, ouvisse do seu pai: "É! se você acha que tem idade suficiente para escolher o "mundo" em vez de "Jeová", tem idade o bastante para também ir-se embora daqui de casa e viver sua própria vida!", acho que você amaria isso, não é? SER RECHAÇADO PELOS PAIS SIMPLESMENTE PORQUE EXERCEU SEU LIVRE-ARBÍTRIO de não continuar numa determinada fé religiosa!
    Pois é, amigo. É o que fanáticos Testemunhas de Jeová costumam fazer e ensinar de cima de suas tribunas nos Salões do Reino! Isso é que é agir diabolicamente!

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