sábado, 18 de abril de 2015


Caso Candace Conti conhece decisão de Apelo do tribunal Californiano. No dia 13 de Abril de 2015, tornou-se conhecida a decisão do tribunal de apelo do tribunal californiano com respeito ao caso Candace Conti. Conhecem-se ainda poucos pormenores sobre a decisão e suas implicações, mas sabe-se o seguinte:

– A Organização das Testemunhas de Jeová (Watchtower) foi considerada culpada de negligência, considerando-se sua a responsabilidade de supervisionar os possíveis abusadores sexuais dentro da congregação e restringindo o seu acesso a crianças. Ficou provado que Kendrick abusou da pequena Candace Conti aquando de várias saídas ao campo (pregação de casa em casa) promovidas pela congregação e já o corpo de anciãos (pastores) sabendo dos antecedentes de abuso deste homem.

Visto que a própria Organização das Testemunhas de Jeová deu ordens específicas através do Departamento Legal sobre a situação dele na congregação na época, é óbvio que a Organização foi considerada negligente em todo este processo.

À Candace Conti foi-lhe atribuído "danos compensatórios" de 2,8 milhões de dólares (que poderão ascender a cerca de 4 milhões), mas ao mesmo tempo foi retirado o valor maior de "punitive damages" atribuídos pelo tribunal anterior. A opinião dos juízes foi que a Organização não tinha a obrigação legal de comunicar aos pais de Candace Conti e à congregação que existia um possível abusador em seu meio, visto que tais avisos "iriam desencorajar os transgressores de procurarem intervenção potencialmente benéfica" dos seus líderes religiosos.

Embora talvez alguns possam pensar que esta é uma vitória da Organização das Testemunhas de Jeová, ainda assim não o é. Por duas razões básicas:

1º- Ela foi considerada culpada de não ter evitado os abusos de um membro da congregação, tornando-se assim negligente na sua possível ação preventiva.

2º- O caso Candace Conti tornou-se uma bandeira na exposição da política organizacional da Watchtower em encobrir casos de abuso sexual nas suas fileiras e de ao mesmo tempo, nada ou pouco fazer para evitar que as crianças nas congregações estejam realmente protegidas de possíveis predadores sexuais.

A Organização pode não ter de desembolsar tanto dinheiro como nós gostaríamos, em virtude do mal causado, mas não se livra de algo que ainda é muito pior: uma mancha na sua reputação supostamente santa e imaculada que dificilmente sairá.

O caso de Candace Conti tornou-se também importante em levar outras vítimas de abuso sexual a revelar os seus abusos dentro da Organização e a procurar conselho jurídico. Neste momento, várias casos estão sendo abertos contra a Organização das Testemunhas de Jeová e mais uma vez, assim como uma bola de neve, a exposição pública sobre os abusos dentro da Organização não para de crescer.

É rara a semana ou mês que novos casos de abusadores e vítimas não vêm a público através da mídia, e isso revela que tais dezenas de casos são apenas a ponta do iceberg numa religião tão fechada e de alto controle, como são as Testemunhas de Jeová.

A maioria dos membros continua a confiar implicitamente nesta organização religiosa, negando que tais casos sejam verdadeiros ou minimizando a ocorrência e regularidade de tais caso de abuso e seu encobrimento. Mas como se costuma dizer: "A verdade tarda, mas não falha" e muitas são as evidências de que a Organização das Testemunhas de Jeová (Watchtower / Torre de Vigia), é culpada do encobrimento dos abusadores sexuais dentro das suas fileiras.

Muitas são as Testemunhas de Jeová que têm vindo a aperceber-se disso mesmo, tanto publicadores e pioneiros como servos ministeriais e anciãos (pastores). Muitos estão profundamente chocados com o que descobriram e muitos são também aqueles que abdicam de seus cargos e/ou saem da religião, quer por se afastarem quer por se dissociarem.

Mas uma coisa é certa: A Watchtower perdeu credibilidade e sua reputação está cada vez pior!
Isso é inegável!

Texto acima de TJ Curioso. Créditos:

Mais sobre o caso Candaci Conti:


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8 comentários:

  1. O que eu não vi ser questionado em nenhum momento foi porque os casos de molestamento não chegaram as autoridades por denúncia da Torre de Vigia, ou seja, aconteceu o abuso de Candaci e ninguém da dianteira da congregação foi com a família dela para a delegacia? Se não podia avisar ou alertar antes porque não agiram depois?

    Outro ponto: a Torre parece querer usar uma regra eclesiástica de que não podem falar para outros o que um adepto faz como confidência, igual a quando alguém se confessa com um padre. Está também incluído isso?

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  2. Os padres q os diga, eles nao se casam para terem relações com criancias. Afinal, somos imperfeitos e diferente d muitas religiões, n queremos sujar o nome de Jeová. Todos na congregação são aconselhados a não sair no campo, casais solteiros sem a companhia de um outro casal casado, ou de casado com uma irma que não e casada etc.... N se deve tirar a culpa d que fez este delito, mais cabe aos pais ficarem d olho em seus filhos!

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    1. Dinha Gemail discordo de suas generalizações sobre os padres. Dizer que eles não se casam apenas para poder abusar de crianças é de uma total falta de bom senso. Em todos os lugares existem boas e más pessoas.

      O que temos que observar e condenar é que nesses casos específicos em que uma religião está de alguma forma envolvida com "clérigos", pastores ou mesmo adeptos é perguntar: os líderes dessa religião fizeram o que depois de tal abuso?

      Muitos padres foram culpados e a Igreja Católica multada por esconder tais fatos e o que vemos no caso acima é que as lideranças das Testemunhas de Jeová não fizeram tão diferente.

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  3. Não cabe a organização proteger pessoas de crimes e sim à autoridades policiais e judiciais que o devem fazer.
    A organização não encobriu simplesmente cumpriu a lei do segredo de sigilo do confissionário.
    A organização também não é obrigada a denunciar conforme o próprio juiz do caso comentou, você mesmo o disse.
    Me confirma se quem condenou foi o juri pupular porque para o juiz não caberia indenização.

    Se a organização o denunciasse publicamente como você quer, o pedófilo poderia também entrar com
    uma ação por quebra de sigilo de confissão e também caberia indenização a ele.
    Assim como um médico que trata de uma moça que praticou o aborto o código de etica medica não permite que ele denuncie, mesmo sendo um crime.

    Também acho estranho que uma criança de 8 anos saia no campo com um adulto(homem) e ainda
    vá para a casa dele sozinhos. Cadê os pais? Essa prática desconheço no campo pelo menos aqui no BR.
    Você já viu isso no salão? Crianças vão acompanhadas dos pais(normalmente mãe) ao campo não são designadas
    com outros individualmente. A instrução que parte da organização é os pais estar junto de seus fihos.
    Até mesmo durante as reuniões.

    Mas a organização precisaria tê-lo afastado das funções de confiança.
    Pedofilia é uma psicopatia. Pedófilo não pára suas práticas eles. Eles fazem muitas vítimas durante suas vídas e continuam fazendo.
    A justiça também falha em proteger a sociedade quando caberia não deixa-los mais sair da prisão.
    Pois eles continuam com as práticas até morrer isso é um desviu psiquico e não cura.

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    1. Olá Suricato e obrigado por sua participação e indagações. O debate salutar é sempre muito importante. Vamos então por partes.

      Cabe a toda organização (religiosa nesse caso) proteger seus adeptos de possíveis situações que possam atentar contra sua dignidade e bem estar físico. Isso é no mínimo prudente e amoroso. Porém, a organização religiosa não tem como evitar certos "crimes" que ocorrem no seu meio, mas precisam ser diligentes em denunciar e ajudar as vítimas. Isso não ocorre com as lideranças das Testemunhas de Jeová.

      Sobre a questão do "sigilo do confessionário" é algo bem estranho vir de uma Testemunha de Jeová tal pedido. Por que digo isso? Porque as Testemunhas de Jeová sempre afirmaram e afirmam que não existem distinção ou títulos em seu meio. Isso é visto nessa publicação:

      *** w94 15/2 p. 7 São as Testemunhas de Jeová uma seita? ***
      Admitidamente os ensinos das Testemunhas de Jeová são diferentes dos das outras religiões. Elas rejeitam a ideia duma distinção entre uma classe clerical e outra leiga. Nunca existiu confissão de pecados de adeptos para com anciãos. Isso é feito na Igreja Católica.

      Ou seja, ficou "viável" aceitar que o cargo de "ancião" agora seja um cargo eclesiástico? Ou ficou viável calar-se diante de um abuso sexual para que o nome da igreja não seja colocado na mídia? Isso é vergonhoso.

      Para mais informações leia esse link abaixo que mostra a carta da Torre de Vigia orientando seus "clérigos" a escaparem de depoimentos que poderiam condenar abusadores.
      http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=12&t=7142&st=0&sk=t&sd=a

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  4. Olá Pascoal.

    - não existem distinção ou títulos em seu meio
    Realmente não existe distinção. Todos são iguais.
    Cabe aos anciãos organizar a distribuição das informações
    vindas do cg. Eles mesmos são sujeitos às mesmas condições
    que os membros em geral. Não recebem títulos de excelencia,
    pastores, pai. Não são pagos ou vivem de contribuições dos membros
    como acontece em outras religiões. Não existe condição de santidade
    para eles diferente dos membros em geral.

    - Nunca existiu confissão de pecados de adeptos para com anciãos
    Não existe confissão de pecado com intenção de que o ancião
    lhe perdoará. O pecado deve ser confessado direto a Deus.
    O perdão vem de Deus. Diferente do que acontece com os padres / pastores
    que as pessoas procuram deles o perdão. A i.c dá ao padre a autoridade do
    perdão.

    Mas a confissão para aconcelhamento e orientações existe sim. Os anciãos tem a obrigação
    de manter o sigilo e a confiança dos membros.
    "Há alguém doente entre vocês? Que ele chame os anciãos da congregação, e que eles orem por ele,
    colocando óleo nele em nome de Jeová. 15 E a oração de fé fará que o doente fique bom, e Jeová o levantará.
    Também, se ele tiver cometido pecados, será perdoado. "
    Tiago 5:14, 15

    Isso ocorre nos casos de clérigos, psicologos, psiquiatras, advogados.
    Já imaginou se um assassino procurasse um advogado para orientação em seu
    caso e o advogado chamasse a polícia. Já imaginou se um passiente confessar
    para seu pisicólogo uma pedofilia e o psicólogo chamasse a polícia?
    Procure a OAB e Conselho dos psicologos e pergunte a eles se isso caberia?

    A lei e os códigos de ética prevê essas situações de sigilo e cabe aos anciãos usá-las.
    Cabe aos pais orientar seus filhos e ter uma boa comunicação com eles para saber
    das diversas situações de risco eles vivem.

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    1. Gostaria de repetir meu texto na minha primeira resposta a você Suricato:
      Cabe a toda organização (religiosa nesse caso) proteger seus adeptos de possíveis situações que possam atentar contra sua dignidade e bem estar físico. Isso é no mínimo prudente e amoroso. Porém, a organização religiosa não tem como evitar certos "crimes" que ocorrem no seu meio, mas precisam ser diligentes em denunciar e ajudar as vítimas. Isso não ocorre com as lideranças das Testemunhas de Jeová.

      O que acontece realisticamente se ocorrer um caso de pedofilia dentro de uma congregação das Testemunhas de Jeová é o seguinte:

      ORIENTAÇÕES NA REVISTA A SENTINELA(PUBLICAÇÃO DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ) PARA CASOS DE ABUSO DE MENORES.
      Revista A SENTINELA 01/11/1995
      *** w95 1/11 pp. 28-29 Consolo para o “espírito abatido” *** O que os anciãos podem fazer?

      E se a pessoa decidir fazer uma acusação formal? Nesse caso, os dois anciãos poderão lembrar-lhe que, em harmonia com o princípio em Mateus 18:15, ela deverá conversar pessoalmente com o acusado sobre o assunto. Se não estiver em condições emocionais de confrontar o acusado, poderá telefonar-lhe ou enviar-lhe uma carta. Assim ele tem a oportunidade de defender-se da acusação, perante Jeová. E pode até apresentar evidências de que é impossível que tenha cometido o abuso de que é acusado. Ou talvez confesse o erro e possa haver uma reconciliação, o que seria muito positivo! Se ele confessar a culpa, os dois anciãos poderão tratar do assunto em conformidade com os princípios bíblicos.
      Se o acusado negar a culpa, os anciãos deverão explicar a quem fez a acusação que nada mais poderá ser feito em termos judicativos. E a congregação continuará a considerar o acusado como inocente. A Bíblia diz que é preciso haver duas ou três testemunhas para que alguma ação judicativa seja tomada. (2 Coríntios 13:1; 1 Timóteo 5:19) ...
      E se o acusado — embora negue a transgressão — for realmente culpado? Será que ele vai “se livrar dessa”? De jeito nenhum! A questão de ele ser ou não culpado pode ficar, com toda a segurança, nas mãos de Jeová.
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      Leram? Viram alguma real tentativa de ajudar uma vítima? E o final é repugnante: e se o acusado for realmente culpado não fugirá das mãos de Jeová, MAS FUGIRÁ DAS AUTORIDADES E DEIXARÁ UMA CRIANÇA E SUA FAMÍLIA DESTRUÍDA! VERGONHA!


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  5. Suricato, essa sua explanação/propaganda inicial sobre a Torre de Vigia me fez lembrar imediatamente o filme “Show de Truman” com o ator Jim Carrey onde a vida dele era toda controlada e monitorada como um reality show, mas que ele não sabia. Então, todo diálogo com o personagem Truman era uma oportunidade de vender algum produto ou reafirmar uma marca. Foi sua tentativa aqui.

    Pois bem, existe sim diferenciação nos cargos “eclesiásticos” dentro das Testemunhas de Jeová. Claro que existe mais uma vez as contradições, pois anteriormente as Testemunhas de Jeová diziam que não exerciam essa função, mas para fugir dos depoimentos as autoridades em casos de pedofilia os seus líderes orientaram seus anciãos (pastores) a usar dessa prerrogativa legal. Sabe o que é mais vergonhoso nisso tudo? A carta é de 2010, ou seja, quando as denúncias de omissão da Torre de Vigia começaram a ganhar os tribunais no mundo todo, aí todas os anciãos (pastores) viraram “clérigos”. Muito conveniente.

    Mas, vamos citar uma publicação das Testemunhas de Jeová que mostram essa distinção dos anciãos (pastores) do resto dos adeptos. As Testemunhas de Jeová afirmam que o mundo vai acabar por meio de um Armagedom e obviamente só elas vão se salvar e obviamente os anciãos (pastores) serão denominados PRÍNCIPES em toda a Terra. Eis o artigo abaixo:

    *** sl cap. 19 p. 362 par. 25 Da aflição mundial para uma “nova terra” pacífica ***
    25 Por serem sobreviventes, na terra, da aflição mundial em que se destruirá o “mundo de pessoas ímpias”, estarão presentes e imediatamente disponíveis para o reinante Pai Eterno escolher dentre eles homens qualificados, seus “filhos”, a fim de serem designados para “príncipes em toda a terra”. Mesmo já hoje, nas dezenas de milhares de congregações das testemunhas cristãs de Jeová, há milhares de homens dedicados e batizados, teocraticamente designados para o cargo de anciãos oficiais. Servem quais “superintendentes” e fazem serviço pastoral nas congregações das quais são membros. (Atos 20:17-28; Filipenses 1:1; 1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-9; 1 Pedro 5:1-4) Tomam também a dianteira na obra predita por Jesus Cristo para esta “terminação do sistema de coisas”, a saber: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações.” (Mateus 24:14) Esforçam-se assim em cumprir com sua responsabilidade perante o reino messiânico, celestial, estabelecido no fim dos Tempos dos Gentios em 1914.

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    Ou seja, Suricato as coisas não são tão "douradas" como você pretendeu mostrar.

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