sábado, 20 de junho de 2015


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Disse a Ministra da Justiça Anna-Maija Henriksson: "Vamos saber se as seitas estão atuando dentro da legalidade""É óbvio que na Finlândia, fora do poder Judiciário oficial, não pode haver outro".

A UEE - o grupo de apoio às vítimas das Religiões - pediu ao Ministério da Justiça para estudar maneiras de intervir nas atividades das comunidades religiosas fechadas. O grupo divulgou um relatório no sábado, onde denunciam as Testemunhas de Jeová, segundo a UEE, de usar o seu próprio sistema judicial interno com uma comissão que interroga os membros de forma constrangedora em busca de pecados. Um relatório de autoria de UTT, Grupo de Apoio a Vítimas de Religiões e publicado no sábado passado, denuncia que as Testemunhas de Jeová como instituição religiosa, usa o seu próprio tribunal interno, conhecido como "comissão judicativa", que questiona membros sobre alegadas irregularidades e pecados.

O relatório indica que as pessoas que são acusadas de terem pecado são assediadas, intimidadas, insultadas publicamente e, isolados socialmente dos seus entes queridos e do restante dos companheiros de congregação. O relatório baseia-se nas experiências de 18 ex-membros da religião com a comissão judicativa e sua prática de ostracismo (desassociação), para com esses membros errantes. A UEE espera que seu relatório vai incentivar a ministro da Justiça, Anna-Maija Henriksson a dar uma atenção especial na investigação e apuração das denúncias, para determinar como intervir nas práticas das TJs, para proteger os membros da ameaça desse tipo de violência.

Uma comunidade fechada

As Testemunhas de Jeová na Finlândia parecem levar uma vida um pouco apartada, dentro de suas próprias comunidades. De acordo com o relatório, as TJ são parte de um grande movimento relativamente global sobre o qual houve/há, nos últimos anos, várias pesquisas acadêmicas sendo realizadas. As Testemunhas de Jeová são descritas como um movimento religioso que exerce grande influência sobre seus membros e é dito possuir "uma perspectiva fundamentalista bastante rígida".

O relatório observou que a organização por trás da religião é altamente hierarquizada e bem regulado a partir dos seus líderes. Os anciãos (equivalente a pastores) em cada congregação, possuem um manual conhecido como "Livros dos Anciãos" [livro dos anciões], e que os membros comuns não têm permissão para ler. A UEE conseguiu obter uma versão do livro, que estabelece regras estritas (em Inglês), orientando o funcionamento do comitê judicial, de como agir caso a caso. De acordo com a doutrina das Testemunhas de Jeová, a literatura representa os ensinamentos de Deus e deve ser tratado com um grau correspondente de seriedade.

Comissão judicativa julga "graves pecados"

A própria comissão judicial é composta por três anciãos, todos dos quais são homens[ não há ancião do sexo feminino nas Testemunhas de Jeová. As audiências são realizadas a portas fechadas e, geralmente participam apenas o acusado e os membros da comissão. Um comitê judicial é formado e convoca uma testemunha de Jeová, quando ela é suspeita de ter cometido um pecado grave. Esses "pecados" podem ser dúvidas ou comentários críticos contra as doutrinas da religião, aceitação de transfusão de sangue, participação na política, celebração do Natal, aniversários ou qualquer outra que seja considerada pagã, fumar ou assassinato. Infidelidade religiosa ou conjugal, é também motivo para se estabelecer uma comissão judicativa e se proferir uma sentença de desassociação.

As Testemunhas de Jeová também não podem alegar privacidade individual, em sua própria defesa, de acordo com a UEE. Os membros da congregação podem ser submetidos a inspeções aleatórios em sua próprias casas, sem aviso prévio, para tentativa de evidências de pecados ou flagrante, como por exemplo, se engajar em sexo pré-marital. Audiências do comitê judiciais que lidam com crimes sexuais envolvem frequentemente perguntas constrangedoras, sobre detalhes íntimos de supostos atos sexuais.

Evitando uma pesada pena

O relatório afirma que a comissão poderá, em alguns casos proferir uma sentença de ostracismo. Nesses casos, a comunidade expulsa o infrator e os outros membros da congregação não estão mais autorizados a falar ou até mesmo cumprimentar o individual punido. Os membros da família e parentes também são encorajados a evitar o parente desassociado. Caso morem na mesma casa, pode-se falar somente o necessário, nunca sobre assuntos espirituais.

O objetivo do ostracismo e sofrimento gerado pela desassociação, é persuadir os infratores para retornar ao rebanho, mas aqueles que o fazem devem ser submetidos a um exercício de arrependimento humilhante que envolve passos, como assistir as duas reuniões semanais mesmo sem serem recebidos ou cumprimentados na chegada do salão do reino[por um período médio de 12 meses ou mais].

Suicídio. Um caminho para a liberdade?

O relatório da UEE descreve as atividades de uma comissão de judicativa associada à prática de omitir as sentenças de cada caso, excepcionalmente cruel e uma violação dos direitos humanos. Em alguns casos, os infratores sofrem graves problemas de saúde ou até mesmo tentativa de suicídio.

No entanto as pessoas que tentam o suicídio não são enviados à comissão [para aconselhamento humanitário]. De acordo com os ensinamentos das Testemunhas de Jeová, a religião ensina que a tentativa de suicídio é uma expressão adequada de pesar e não requer a intervenção do comité judicial.

De acordo com o relatório UEE , nas Testemunhas de Jeová, grande parte dos que ocupam os cargos de 'Ancião", são pessoas sem ensino superior, e por isso não são bem-educados. A organização [que apresentou o relatório ao Ministério da Justiça da Finlândia] disse que esta pode ser a razão pela qual, os anciãos, em alguns casos, não compreendem totalmente as consequências da expulsão e ostracismo. Apesar da punição de deixar as TJs, muitos membros escolhem esta opção. Um estudo norte-americano envolvendo uma amostra aleatória mostrou que apenas 37 % de filhos de pais testemunhas de Jeová crescem e permanecem na religião.

Crédito pela tradução: Forista Soares do Fórum Ex-Testemunhas de Jeová.


6 comentários:

  1. Acho que seria interessante vocês convidarem um ancião e conversarem sobre todas as alegações feitas.

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    1. Seria bom, mas eles só andam em bando, mentem e não tem o genuíno interesse de se estabelecer a verdade sobre algo,apenas mascarar de forma legalística os mandos e desmandos da Torre. Eles, por não pensarem por vontade própria, seriam orientados pelo Corpo Governante das Testemunhas de Jeová a omitirem mais e mais as incoerências da religião.

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  2. Essa religião é ridícula. .. falo por que já fui.

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  3. Tem razão,JESSICA,OS TJ não tem e nem criatividade PRÓPIA,é tudo que vem do corpo governante,da torre de vigia,tem muitos que ficam anos e anos,tão condicionados,que quando sai do julgo mental da torre partem pra outra religião,procurando acabar com as seqüelas,e o medo,que esta pecando. EEEE TORRINHA DOS INFERNOS.

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  4. Eu começei um estudo a quase um ano com os testemunha de jeová.

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  5. Boa Noite, meu nome é Allanna, sou estudante concluinte do curso de Direito e desassociada a aproximadamente 8 anos. O assunto que escolhi para desenvolver meu TCC é justamente a ausência de autonomia da vontade das testemunhas de Jeová na recusa pelo tratamento médico com transfusão de sangue, em virtude de toda a vivência como uma testemunha de Jeová. Na região onde vivo, na cidade de Blumenau/SC, tanto na área jurídica como médica, as pessoas estão convencidas da autonomia da vontade das testemunhas de Jeová com base no direito fundamental à liberdade religiosa. O tema está gerando muita curiosidade entre a comunidade acadêmica da minha universidade, inclusive estou desenvolvendo um questionário que será avaliado pelo comitê de ética da universidade para comprovar do ponto de vista das testemunhas de Jeová a ausência de autonomia da vontade. Estou à procura de auxílio em encontrar publicações das próprias testemunhas de Jeová, assim como daqueles que tenham interesse em responder o questionário, tanto associados como desassociados, ressaltando que a identificação será sigilosa e preservada daqueles que quiserem contribuir.

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