quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Bem para mostrar mais uma vez as confusões da Torre de Vigia e principalmente a falta de lógica em algumas de suas idéias vamos examinar o caso de José no Egito e o embalsamento futuro de seu pai e do mesmo na ocasião de suas mortes. Com esse exemplo mostramos que um cristão pode fazer política e que não se tem base bíblica para proibições de aniversários natalícios e outros raciocínios. E, salientando, tudo demonstrado dentro das próprias publicações da Torre de Vigia. Pois é, as contradições são tão absurdas que isso é mais um dos muitos motivos para questionarmos sua tão proclamada “VERDADE” dogmática do Corpo Governante. O resumo da história é que José foi vendido por seus irmãos e acabou indo parar no Egito. Lá trabalhou para Potifar que era um subordinado direto do rei do Egito, chamado Faraó. Depois de interpretar um sonho para o Faraó, se tornou o segundo em poder em todo o Egito.

Pois é, José foi para uma terra de costumes pagãos, usou trajes pagãos, sua aparência foi modificada em relação a costumes pagãos. Mas, isso não é errado? Um adorador verdadeiro se misturar com costumes pagãos? Vejamos como agiu José.

A Revista Sentinela 15/06/1982 p.10 diz: Convocado para interpretar os sonhos do Faraó, José primeiro cortou a barba. (Gênesis 41:14) Complementando a informação o Livro Estudo Perspicaz págs.307,308 diz: Heródoto (II, 36) diz que os egípcios rapavam tanto os pêlos da face como os cabelos da cabeça. Para os homens, deixar crescer a barba ou o cabelo era sinal de pesar ou de desleixo. Por esta razão, José, ao ser tirado da prisão, barbeou-se antes de comparecer à presença de Faraó. (Gên 41:14) No entanto, os egípcios usavam barbas postiças, bem como perucas.

Pelo que percebemos foi normal José fazer essas adaptações pagãs em seu visual e em nenhum momento Jeová se mostrou indignado, ao contrário, as bênçãos de José só aumentavam. Outra questão, José estava envolvido na Política do Egito, ele tinha grandes responsabilidades, mas o que intriga é que a política do Egito era entrelaçada com religião e costumes pagãos e José usufruía de tudo sem sanções por parte de Deus. Vamos a alguns fatos interessantes. Como era visto a figura do Faraó?

O livro Estudo Perspicaz Vol.2 págs.596-603 nos diz: Os egípcios encaravam o faraó governante como deus, filho do deus-sol Rá, e não apenas como representante dos deuses. Era considerado como encarnação do sucessor de Osíris, o deus Hórus, de cabeça de falcão. Entre os títulos pomposos que lhe eram atribuídos estavam “o sol de dois mundos”, “Senhor da Coroa”, “o poderoso deus”, “descendente de Rá”, “o eterno”, e muitos, muitos outros. (History of Ancient Egypt [História do Antigo Egito], de G. Rawlinson, 1880, Vol. I, pp. 373, 374; History of the World [História do Mundo], de J. Ridpath, 1901, Vol. I, p. 72) Na frente da sua coroa estava presa uma imagem do sagrado uraeus (uréio), ou cobra, que supostamente cuspia fogo e destruição sobre os inimigos do faraó. Freqüentemente, a imagem do faraó era colocada em templos entre as de outros deuses. Há até mesmo quadros egípcios de faraós reinantes adorando sua própria imagem. A palavra de Faraó, como deus, era lei, e ele não governava segundo um código de lei, mas por decreto.

Perceberam o que isso significa? O Faraó a quem José servia era considerado um Deus, isto é, idolatria na sua concepção mais pura. E José devia obediência a ele em assuntos políticos, mesmo José crendo em Jeová, o mesmo não se mostrou ciumento e permitiu que José trabalhasse numa região em que todos adoravam outro deus. Isso prova que um cristão pode sim se envolver em questões políticas em nosso tempo, pois não existe relação entre ser cristão e ser um zero como cidadão, em não participar de movimentos sociais para melhoria, em votar ou se candidatar ou mesmo trabalhar em órgãos públicos. Parou por aqui? José é um exemplo abundante em vários assuntos que colocam as teorias da Torre de Vigia como algo absurdo.

Prestemos atenção em mais alguns detalhes. O livro Estudo Perspicaz Vol.2 págs.596-603 diz: Constituído em Segundo Governante do Egito. Faraó reconheceu em José, de 30 anos de idade, o homem suficientemente sábio para administrar os assuntos durante o tempo de fartura e o tempo de fome. Portanto, José foi constituído em segundo governante do Egito, dando-lhe Faraó seu próprio anel de sinete, finas roupas de linho e um colar de ouro. (Gên 41:37-44, 46; compare isso com Sal 105:17, 20-22.)

O Faraó deu o seu próprio anel de sinete para José. O que temos de informação sobre esses ornamentos egípcios?

O livro Estudo Perspicaz Vol.1 pág.133 nos tira essa dúvida: Especialmente os egípcios favoreciam anéis com a imagem do escaravelho, que para eles era símbolo de vida eterna. Entre as muitas jóias recuperadas do túmulo do faraó egípcio Tutancâmen havia um anel de três tiras com três escaravelhos, um de lápis-lazúli e dois de ouro. O anel de sinete dum governante ou dum alto oficial era símbolo de sua autoridade. (Gên 41:41, 42) Documentos oficiais, ou coisas nas quais não se devia mexer, nem fazer alterações, eram selados com eles, de modo similar a que se apõem selos ou assinaturas oficiais nos tempos modernos. — Est 3:10-13; 8:2, 8-12; Da 6:16, 17.

Mais uma vez Jeová não censurou José por receber do Faraó um anel com detalhes pagãos, que atestavam diretamente para a pagã religião egípcia e também não se importou de José estar politicamente ativo, pois todos do Reino do Egito tinham José como o auxiliar do Deus Vivo o Faraó. Pois bem, a história de José consegue até nos livrar daquela maluquice que a Torre de Vigia inventou para proibição de aniversários natalícios, dia das mães, aquele papo que isso tinha uma origem pagã e mística. Pois bem, José quando perdeu seu pai Jacó deixou que os egípcios o embalsamassem. O que isso significava para os egípcios?

A revista Sentinela 15/06/1982 pág.10 diz: Todavia, diferente dos israelitas, os egípcios criam que a alma era imortal, e a embalsamação realizada por eles estava associada a essa idéia falsa. (Ezequiel 18:4) Então para quê fazerem isso? A desculpa da Torre de Vigia está nessa mesma publicação: A finalidade da mumificação de Jacó era, pelo visto, preservar o seu corpo até poder ser enterrado na Terra da Promessa. (Gênesis 50:4-14) Isso de forma alguma invalidou o ritual do embalsamento, era uma prática pagã e religiosa e que foi feita por egípcios sob a supervisão de um judeu que era José. Se ele já estava envolvido em toda a vida social egípcia, isso não seria empecilho. Mas, era tão longe assim o local do enterro de Jacó que precisava de um embalsamento completo?

A Revista Sentinela 15/03/2002 diz: JOSÉ honrou o pedido de seu pai por se aproveitar de um costume prevalecente na época no Egito. Mandou “aos seus servos, os médicos, que embalsamassem seu pai”. Segundo o relato encontrado no capítulo 50 de Gênesis, os médicos levaram os costumeiros 40 dias para preparar o corpo. O embalsamamento de Jacó permitiu que a grande caravana de familiares e dignitários egípcios viajasse lentamente os cerca de 400 quilômetros para levar os restos mortais de Jacó a Hébron, para o enterro. — Gênesis 50:1-14.

Perceberam o que foi dito? José HONROU seu pai por se APROVEITAR DE UM COSTUME PREVALECENTE NA ÉPOCA. Me respondam: Esse costume estava envolvido com adoração idólatra e crenças pagãs? Sem a menor dúvida!!! E mesmo assim Jeová aprovou isso? Sim, aprovou e abençoou. Por quê fez isso? Por que o que interessa é como o costume é utilizado, qual seu sentido, qual seu valor prático. Por isso que aniversários natalícios mesmo tendo algumas origens pagãs, não tem mais o sentido inicial, foi transfigurado disso, igualmente como José fez com o embalsamento de seu pai. E pensem bem, eram apenas 400 quilômetros até o enterro, se José quisesse não precisaria dessa comitiva enorme e chegariam bem mais rápido e o embalsamento não teria sido necessário. E José ajuda tanto nessa questão que quando morreu, vejam o que aconteceu.

O Livro Estudo Perspicaz Vol.2 pág.596 diz: José sobreviveu ao seu pai uns 54 anos, atingindo a idade de 110 anos. Teve o privilégio de ver até mesmo alguns dos seus bisnetos. Antes de morrer, José, em fé, solicitou que seus ossos fossem levados a Canaã por ocasião do Êxodo dos israelitas. Quando morreu, o corpo de José foi embalsamado e colocado num ataúde.

Pois é, embalsamaram José também, mas o principal não é isso, seu corpo foi transportado num ATAÚDE. O que é isso? A Revista Sentinela 15/06/1982 pág.10 nos dá um exemplo de um ataúde egípicio: Dentro dum ataúde estão os símbolos do zodíaco. Um mapa, desenhado num outro ataúde, indica a rota que a “alma” tinha de seguir. Eram feitas oferendas em mesas sacrificiais para apaziguar a alma e evitar que ela retornasse em sonho para molestar um sobrevivente. A religião egípcia abrangia também trindades de deuses, bem como a adoração de mãe e filho. Portanto, tais práticas não se originaram do verdadeiro Deus.

Pois é, não se originavam de Deus, mas foram permitidas por Deus. Ele não se importou com isso, apenas viu como uma forma de usar os costumes de forma a lhe favorecer. Assim mais uma vez expomos os erros e contradições da Torre de Vigia através de suas próprias publicações, que são reflexo dessa desorganização e de falso juízo de si.



2 comentários:

  1. Este tipo de trabalho é muito interessante! Gosto mais de ler este tipo de coisas, do que o forum...

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  2. Esse desenho que aparece aí, no começo, não representa José, o Rei dos Sonhos mas sim Moisés, o Príncipe do Egito.Se atualize aí nos desenhos para não gerar confusão com os personagens.

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