quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015


"O instituto do asilo é tão antigo como a humanidade e, nasce do instinto de conservação, própria do ser humano, que foge do perigo e da morte, com o propósito de encontrar um lugar que lhe ofereça a proteção necessária à sua integridade física. Asilo sagrado, propriamente dito, era privilégio de poucos templos e significava a imunidade total daqueles que fossem acolhidos, independentemente se fossem culpados ou inocentes".

Ainda que legalmente já não exista tal direito do asilo sagrado em nosso século XXI, as Testemunhas de Jeová tentam se amparar numa leitura “desvirtuada” do direito a liberdade religiosa para poder sistematicamente boicotar uma colaboração com a justiça e com a polícia nos casos de abusos sexuais de menores dentro de sua instituição religiosa, resultando de fato numa espécie de asilo “sagrado" para os molestadores sexuais de crianças.

Por este motivo a organização sem fins lucrativos “The Center for Investigative Reporting”, denuncia que a denominação religiosa das Testemunhas de Jeová tenta se amparar na 1ª Emenda da Constituição dos EUA para não colaborar com a justiça ou com a polícia nos casos de abusos sexuais de menores dentro do âmbito de sua comunidade religiosa. Esta emenda constitucional proíbe a criação de uma lei que limite a liberdade religiosa. Num longo artigo em inglês, o jornalista Trey Bundy, pesquisou durante 10 meses para escrever o seguinte:

14 de fevereiro de 2015

Durante 25 anos, os líderes das Testemunhas de Jeová, uma das confissões religiosas mais fechadas do mundo, têm ordenado a seus pastores religiosos [denominados de anciãos] que mantenham em segredo os casos de abusos sexuais relativos a menores, não revelando as autoridades e forças de segurança do Estado, nem aos próprios membros de suas comunidades religiosas locais.

A matriz da organização religiosa, a Watchtower Bible and Tract Society instalada em Nova York, emitiu as suas filiais pelo menos dez memorandos que datam de 1989. Apesar de os memorandos estarem escritos de forma anônima, membros da Watchtower (Torre de Vigia) têm testemunhado que o Corpo Dirigente da organização aprovou todos eles.
A carta mais recente, datada de 6 de novembro de 2014, ordena aos anciãos (os pastores religiosos nas comunidades locais) a formar comitês judiciais para tratar internamente de potenciais delitos [qualificados no Código Penal]:

"Em alguns casos, os anciãos formarão um comitê judicial para tratar um suposto caso de má conduta que também pode constituir um delito qualificado no Código Penal (por exemplo: assassinato, violação, abuso sexual de menores, fraude, roubo, agressão)", ordena a carta. "De maneira geral, os anciãos não devem atrasar o processo do comitê judicial, mas deve-se manter sigilo absoluto para evitar complicações desnecessárias com as autoridades seculares que podem estar a investigar tal delito".
A carta está disponível nesse link abaixo:
https://www.documentcloud.org/documents/1667064-watchtowernov62014.html

Internamente, a organização, a Watchtower (Torre de Vigia) determina quem pode ser denominado de molestador sexual em série de menores. Segundo a carta com data de 1 de outubro de 2012:
"Nem todos aqueles que têm abusado sexualmente de uma criança no passado são considerados molestadores. Somente a Watchtower (Torre de Vigia) e não o corpo de anciãos (pastores), será quem determinará quem no passado tenha abusado sexualmente de menores".

As orientações das cartas são parte de um padrão de uma organização, que tem mais de oito milhões de membros no mundo e que prega que o Armagedom em breve libertará as pessoas das garras de Satanás. Nos EUA as Testemunhas de Jeová operam em mais de 14.000 congregações com aproximadamente um milhão de membros.
Documentos internos obtidos por “Reveal” demonstram que as Testemunhas de Jeová sistematicamente têm instruído aos anciãos (pastores) e outros líderes para que os abusos sexuais de crianças sejam tratados confidencialmente, enquanto coletam detalhadas informações dos adeptos que se aproveitaram das mesmas.

Como anteriormente obtiveram sucesso amparando-se na 1ª Emenda da Constituição americana em defesa de seu direito de não servir ao exército e nem saudar a bandeira dos EUA, as Testemunhas de Jeová atualmente tentam usar a mesma estratégia legal para defender políticas que amparam molestadores sexuais em série frente às forças e instituições de segurança do Estado.

Texto baseado no artigo "Asilo en sagrado, la 1ª Enmienda y los testigos de Jehová".

Parágrafo inicial retirado do texto "As origens históricas do direito de asilo".


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