sábado, 3 de março de 2007


As Testemunhas de Jeová orgulham-se em dizer que são neutras politicamente e que seguem a orientação da Bíblia e de Jesus com respeito a esse quesito. Acham que somente um governo celestial poderá resolver todos os problemas enfrentados pela humanidade e até sabem da importância de um governo secular para manter uma certa paz e ordem dentro de um convívio social, mas não depositam sua confiança no mesmo. Até simples manifestações como passeatas a favor da paz ou contra a diminuição da violência são encaradas de um modo “politicamente” errado para uma Testemunha de Jeová, mas vamos deixá-las expor o assunto:

“No entanto, é correto que os cristãos participem nessas manifestações? E será que os protestos — na forma de passeatas tumultuosas ou de lúgubres vigílias à luz de velas — podem realmente mudar o mundo para melhor? As manifestações são descritas por certo sociólogo como “método especialmente eficaz de expressão política . . . para incitar autoridades não atuantes a tomar as necessárias ações”. Sim, aqueles que participam em passeatas de protesto ou que fazem manifestações geralmente o fazem na esperança de que seus esforços conjuntos corrijam as injustiças e a corrupção dos atuais sistemas sociais e políticos. (Despertai 08/02/2003)

Prestemos bastante atenção nesse ponto de vista das Testemunhas de Jeová. Para elas, manifestações públicas são uma forma de fazer política porque incita autoridades seculares não atuantes (governos locais) a mudar seu conceito, seu ponto de vista, para poderem corrigir uma injustiça. Então poderíamos algum dia ver testemunhas de Jeová participando em tal tipo de manifestação? Elas respondem: 

“Na verdade, os cristãos são instruídos a ser bastante ativos, não em protestos, mas na obra de pregação e ensino das boas novas do Reino de Deus — o próprio governo do Reino pelo qual Jesus ensinou seus seguidores a orar. (Mateus 6:10; 24:14)(Revista Despertai 08/02/2003)

A instrução é clara, não é correto para uma Testemunha de Jeová, segundo suas próprias diretrizes, ser ativas em manifestações ou protestos públicos, somente a pregação pública é incentivada. Mas, podemos nos indagar: e se uma Testemunha de Jeová é perseguida de forma cruel, podendo envolver até casos de torturas e mortes por parte de algumas pessoas ou até mesmo por perseguição injusta de governos ditatoriais, não poderiam elas usar de manifestações para alertar o mundo sobre tal barbárie? Mais uma vez elas colocam sua opinião:

”Em setembro de 1972, irrompeu uma cruel perseguição contra as Testemunhas de Jeová num país da África central. Milhares foram roubados de todos os seus pertences e sujeitos a outras atrocidades, incluindo espancamento, tortura e assassinato. Cumpriram as autoridades superiores o seu dever de proteger as Testemunhas? Não! Ao contrário, incentivaram a violência, obrigando esses cristãos inofensivos a fugir para países vizinhos em busca de segurança. Não deviam as Testemunhas de Jeová iradamente insurgir-se contra tais atormentadores? Não. (Revista A Sentinela 01/11/1990 )

Com certeza, agir iradamente não seria uma solução correta, principalmente porque as Testemunhas de Jeová não usam de violência física para com as pessoas e porque seria pedir para que seus adeptos fossem ainda mais perseguidos, porém agir de uma forma indignada, mostrando toda a brutalidade que estava acontecendo por meio de manifestações, seria no mínimo prudente e amoroso. Essas manifestações poderiam ocorrer em localidades próximas ou num país vizinho como forma de tentar diminuir o sofrimento daqueles fiéis adeptos da sua denominação religiosa e para chamar atenção para uma situação que com certeza não só as testemunhas de Jeová enfrentavam. As Testemunhas de Jeová dizem o seguinte a esse respeito:

 ”Os cristãos devem pacientemente suportar tais indignidades, agindo humildemente em imitação de Jesus: “Quando sofria, não ameaçava, mas encomendava-se àquele que julga justamente”.(1 Pedro 2:23)(Revista A Sentinela 01/11/1990)

Como diria Voltaire:”Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-las!” Sim, se esse é o ponto de vista das Testemunhas de Jeová qual Organização com relação a manifestações públicas e se mantém uma coerência em sempre agir dessa maneira, na realidade se pecam é pelo fato da omissão, fora isso, enfrentam essas adversidades da melhor maneira segundo a sua coerência. Porém, as Testemunhas de Jeová são marcadas pela incoerência e nesse caso não haveria de ser diferente.

Vejamos um relato ocorrido na França: 

”Em 1996, um relatório parlamentar classificava as Testemunhas de Jeová como ‘seita perigosa’, e em janeiro de 1999 o governo lançou um imposto de 60% sobre todas as contribuições recebidas por elas, embora isso nunca tenha sido exigido de nenhuma outra religião”.(Anuário 2001)

Bem, se formos observar as instruções anteriores dadas a seus “irmãos” de fé em outra localidades onde sofreram injúrias e até mesmo casos de morte, o coerente seria suportar mais uma série de blasfêmias, pois o caso em questão se restringia a difamação e dinheiro, ou seja, cobrar mais impostos da Torre de Vigia e calúnias sobre considerar as Testemunhas de Jeová uma seita perigosa. Mas, observem como reagem agora, numa mudança de posição que vai contra tudo que tinham colocado como convicção para seus fiéis:

 ”As Testemunhas reagiram com uma campanha de três dias, começando em 29 de janeiro de 1999, em que distribuíram 12 milhões de exemplares de um tratado intitulado Povo da França, vocês estão sendo enganados!. No primeiro dia da campanha, realizou-se uma entrevista coletiva com a imprensa para explicar o que estava acontecendo. Ao meio-dia, as estações de TV e de rádio já estavam transmitindo as informações. Mais de 60 jornais e revistas nacionais e regionais noticiaram a atividade, usando manchetes como “A França é tomada como testemunha por Jeová” e “Operação ‘Verdade’ pelas Testemunhas de Jeová”. (Anuário 2001)

Exatamente, para o espanto geral, as Testemunhas de Jeová na França foram reorientadas para fazer política de forma descarada nas ruas através de mobilização através de folhetos, passeatas (aglomeração de Testemunhas de Jeová), mídia etc. 

“Assim, cerca de 6.000 voluntários se postaram em pontos estratégicos para encontrar as pessoas a caminho do trabalho. Ver tantas Testemunhas de Jeová distribuindo panfletos nas ruas certamente foi algo inédito para as pessoas”. (Revista A Sentinela 01/09/2001)

O que mudou? Por que pessoas sendo mortas ou torturadas não merecem divulgação e taxação de impostos sim? Para que tentar mudar algo por meio de manifestações públicas anteriormente colocadas como anticristãs? Por que se envolver com política quando se dizem neutras nessa questão? Relembremos a crítica feita pelas Testemunhas de Jeová frente a manifestações públicas: 

“Sim, aqueles que participam em passeatas de protesto ou que fazem manifestações geralmente o fazem na esperança de que seus esforços conjuntos corrijam as injustiças e a corrupção dos atuais sistemas sociais e políticos”. 

E não foi isso que fizeram? O resultado dessa manifestação política das Testemunhas de Jeová foi o seguinte: 

”E que dizer do imposto lançado pelo governo? Em resposta à ação tomada, altas autoridades têm sido confrontadas com extensiva documentação legal sobre as Testemunhas de Jeová — inegavelmente um grande testemunho! Está sendo impetrado recurso sobre a exigência do imposto e, se necessário, será contestada até na Corte Européia dos Direitos Humanos”.(Anuário 2000)

Como vimos, o resultado segundo a Torre de Vigia é muito favorável. A manifestação pública com passeatas, folhetagem, mídia, foi um instrumento forte para pressionar o governo local a rever sua posição. É triste ver que somente em casos em que a vil moeda entra em jogo a Sociedade Torre de Vigia se manifesta de maneira tão viril e enfática.

É triste constatar que manifestações com respeito a ajudar ao próximo, mutirões contra a violência, passeatas contra o desarmamento ou mesmo para mostrar a vontade de paz sejam consideradas “politicamente” incorretas para as Testemunhas de Jeová. Dois pesos e duas medidas, e assim caminha as eternas incoerências dentro dos muros da Torre de Vigia.


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7 comentários:

  1. Ok, nao sou TJ mas tenho pessoas na minha familia q são! Tenho medo de q um dia aconteça algo com eles, porque realmente nao reagiriam de maneira alguma. São tão pacificos q seriam massacrados completamente. Peço, liberdade de crença. Quero dizer q amo meu parentes q amigos TJ, e sei q eles me amam e nao sou TJ. Não há essa obrigatoriedade.

    Medo

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    1. Haha... experimente virar um deles e depois deixe de ser pra ver se esse amor continua... ;)

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    2. Eles te amam enquanto vc for um TJ em potencial. Nem precisa se tornar um deles. Tenho amigos que só estudaram os livros com as TJ e quando decidiram que não queriam mais estudar tais livros, as TJ tomaram tanto ódio deles que nem cumprimenta.

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  2. O fato é que quando se trata de valores financeiros a torre vende até o Jeová para defender seus interesses corporativos,tenho pena de 7 milhões de pessoas que se sujeitam a essa extorsão sem perceber, achando que prestam serviço a Deus,fui ancião e membro de associação jurídica e vi de perto as manobras legais que visam a proteção financeira,em alguns países estão lotadas como instituição religiosas, em outras como entidade filantrópica e tem o famoso caso da ONU onde eles eram afiliados da fera como Ong!!!

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    1. Isso é verdade!
      Até as tais publicações ditas "gratuitas" obedecem à uma cota. Se a congregação não atingir a cota em reais, a Torre de Vigia ameaça bloquear o envio de publicações. Quem já foi ancião sabe como funciona.
      O regime de donativos foi adotado para não pagar impostos, tendo em vista que na época em que havia um valor pré determinado para as publicações, constituía venda.
      O donativo, além de servir para o não pagamento dos impostos devidos, serve para que se pague duas vezes pelo mesmo impresso: a TJ paga pela publicação, dando seu donativo em reais, quando pega no balcão e depois repassa o donativo do morador.
      Esperta essa Torre de Vigia, não?

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  3. Aqui no BRASILos TJ deveriam ter carteira assinada,pois agora estão saindo de carrinho na praça com as revestas da torre de viga,daqui a pouco é patinéte triciclo,patins,esqui,trocar 2 por uma,é o jeito,enquanto estiverem sob o domínio da torre,mas um dia vai mudar.

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  4. Por que eles se jugam superiores e condenam os cristãos evangélicos sendo q suas diretrizes se interpõem a varios outros ensinamentos bíblicos como por exemplo a doutrina do espírito santo ou santíssimo Trindade

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