terça-feira, 17 de abril de 2007

A racionalidade é algo muito bem vindo ao comportamento humano, faz-nos desviar de muitas ciladas indesejáveis. Muitos que saíram da Torre de Vigia tiveram que exercitar esse talento lógico para se livrar dos dogmas castrantes e muitas vezes absurdos dessa seita. Existe porém, um pós – Torre onde a desconfiança e o ceticismo domina o ex-participante da denominação religiosa. Em que crer? Onde está minha fé? Essa resposta só será possível se a pessoa se determinar a encontrá-la, pois ninguém vai dar as respostas “certas” para a sua vida, o controle é seu.
Uma coisa importante nessa busca é que não adianta apenas buscar essas respostas mediantes livros e debates, isso contribui é claro, mas você tem que vivenciar, se expor a novas experiências para ter suas respostas, e essas poderão ser diferentes e serão diferentes das de muitos outros.
Devemos sempre ter cuidado de não destruirmos a fé dos outros só por destruir, sem nada acrescentar. Vale ressaltar que o caos é algo primordial para ser ter novas idéias, ou seja, vai ter uma etapa da sua vida em que você vai ter que destruir antigos conceitos que você achava correto, para poder ressurgir frente a sua vida com novo ânimo.
O destruir interior é algo necessário para o soerguimento de algo melhor, pois você sabe de sua real condição, mas o destruir das idéias dos outros, da fé dos outros de forma gratuita e agressiva por vezes pode ocasionar a decadência de uma pessoa e contribuir para sua completa imobilidade frente ao mundo.
Num livro em que se analisa a “morte” de Deus anunciada por Nietzsche, têm-se uma advertência para a seriedade e responsabilidade de como expor certas idéias: “Condição necessária de uma nova moral, e, mais geralmente, de uma nova cultura, a morte de Deus não é, pois, a sua condição suficiente; e, se não for animada por uma nova exigência, pela virtude da vontade de potência, se for animada pela vontade de fraqueza ou de nada, pode, ao contrário, conduzir à extrema decadência, muito mais baixa ainda que a antiga moral, ao niilismo mais extremo. Eis o que a sua lucidez revela Zaratustra, e o que a sua sinceridade o obriga a proclamar: a morte de Deus é ambivalente; ela permite imensas esperanças, mas também comporta um terrível risco”.
O risco é de novamente impormos verdades prontas para as pessoas e não respeitarmos a diversidade de pensamentos. Outro exemplo perfeito de como expor algo para uma pessoa está no livro “Assim falava Zaratustra” de Nietzsche: “Cantando, chorando, rindo e murmurando, louvo a Deus que é meu Deus. Mas, afinal, que nos trazes de presente? A essas palavras, Zaratustra saudou o santo, dizendo-lhe: ‘Que teria eu para vos dar? Mas deixai-me partir depressa, antes que vos tire alguma coisa!’ E assim se separaram, o ancião e o homem, a rir como dois jovens”.
Nesse caso o personagem Zaratustra vinha para anunciar a “morte” de Deus e encontrou um eremita temente a Deus e o que observamos não foram debates para provar se Deus existia ou não, apenas que Zaratustra respeitou o pensamento daquele homem naquele momento e que com certeza teriam outros momentos para se mostrar certas verdades. Cada um tem seu momento para um despertar.
“A verdadeira vida, a vida eterna foi encontrada – não foi prometida, está aqui, está em você: como vida no amor, no amor sem reserva nem exclusão, sem distância. Todos são filhos de Deus. Jesus não reivindica nada somente para si – todos como filhos de Deus são iguais a todos...” Nietzsche em seu livro “O Anticristo”.












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2 comentários:

  1. Sua colocação quanto a Nietzsche é feita em uma ignorância contextual única. Eu li a obra O Anticristo, e Nietzsche faz a sua alusão a vida eterna com pura irônia e desprezo pelos termos sejam de verdade absoluta ou verdade pessoal, pois o mesmo estava consciente de que isso coloquialmente deveria admitir a existencia de uma fé unica e verdadeira, que no seu sentido crítico se referia ao cristianismo. Nietzsche em vários momentos acusa os apóstolos e consequêntemente Jesus de mentirosos, mostra um completo desprezo pelo cristianismo e chega a ser anti-semita por comparar cristãos aos judeus poloneses por ambos federem. Nietzsche mostra um certo respeito pelo budismo não por ser uma religião propriamente dita, mas por ser uma filosofia de padrões éticos e sociais muito superiores ao cristianismo. Concordo com sua linha de pensamento sobre sabermos questionar a fé alheia sem transformá-los em atoas. Mas eu lhe aconselho a ter mais cuidado com suas citações se quizer realmente convecer alguém do que está escrevendo.

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  2. Thanos, aprecio seus comentários, mas vale ressaltar que obviamente não coloco Nietzsche como discípulo de Jesus!!! O texto tenta colocar prudência nas pessoas que mesmo não cristãs tentam impor novas VERDADES as pessoas! Sim, Nietzsche tinha um repúdio pelo CRISTIANISMO,por sacerdotes e por quase todo tipo de religião organizada, mas não o impediu de reconhecer certos méritos da pessoa de Jesus. Coloco aqui mais textos do livro o Anticristo que mostram apesar de sua ironia fina (de Nietzsche) ele tinha o bom senso de expor antes de tudo: idéias!
    "“Usando de certa tolerância no uso das palavras, se poderia chamar Jesus um ‘espírito livre’ – ele nada tem a ver com tudo o que é fixo: a letra mata, tudo o que está fixado mata”. P.64
    “Se compreendo alguma coisa sobre esse grande simbolista, é que ele não considerava como realidades, como ‘verdades’, senão as realidades interiores – e que compreendia o resto, todo o natural, o temporal, o espacial, o histórico somente como sinais, como ocasião para parábolas”. P.67
    “Esse anunciador da boa-nova morreu como viveu e ensinou – certamente não para salvar homens, mas para mostrar como se deve viver”. P.69
    “Remonto aos fatos para contar a verdadeira história do cristianismo. A palavra ‘cristianismo’ já é um mal-entendido – no fundo existiu um só cristão e ele morreu na cruz. O ‘Evangelho’ morreu na cruz. O que, desde então, se chama ‘Evangelho’ era já a antítese do que ele viveu: ‘má nova’, um Dysangelium”. (Ele recorre ao vocábulo grego dysángelos – más novas) P.74
    LIVRO O ANTICRISTO- ED. ESCALA

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