sexta-feira, 4 de março de 2011


Juiz da 2ª Vara Cível de Rio Preto autoriza, por meio de liminar, equipe média do HB aplicar sangue em homem de 86 anos, que é testemunha de Jeová, mesmo sem aval do paciente e da família


Ademir Terradas
Agência BOM DIA

O Hospital de Base de Rio Preto conseguiu na Justiça liminar que autoriza equipe médica a realizar transfusão de sangue em um paciente de 86 anos que é Testemunha de Jeová. A liminar foi concedida pelo juiz da 2ª Vara Cível de Rio Preto, Paulo Marques Vieira. No despacho, o juiz determina que “se faça a transfusão, mesmo havendo discordância dele ou de seus familiares”.

De acordo com a doutrina seguida pelas Testemunhas de Jeová, a lei de Deus proíbe que o fiel receba sangue de outras pessoas, sob pena de perder a salvação do seu espírito. Em nota, o Hospital de Base informou nesta quarta-feira (02) que o paciente, que está internado na UTI, sofreu uma hemorragia no estômago e precisa da transfusão. O paciente está em tratamento há 40 anos por causa de uma úlcera e sofre de problemas cardíacos.

Segundo informou um representante das Testemunhas de Jeová em Rio Preto, o paciente foi operado no mês passado para conter a hemorragia e seu caso teria se agravado por causa de uma infecção hospitalar.
“A família e o paciente manifestaram, desde a primeira internação, que não querem a realização da transfusão. Por isso, a cirurgia foi feita sem reposição de sangue”, afirma Jefferson Liebana, ancião das Testemunhas de Jeová do salão [igreja] do bairro Boa Vista. Jefferson é membro da Colh (Comissão de Ligação com Hospitais), grupo das Testemunhas de Jeová que acompanha casos como esse.

No pedido enviado à Justiça, o HB informou que a transfusão é o único procedimento possível para salvar a vida do paciente. Duas filhas do aposentado, que é de José Bonifácio, se revezam como acompanhantes do pai para evitar que o procedimento seja realizado. “Desde o início, as filhas pediram para o médico iniciar tratamento com eritropoetina [leia quadro ], mas eles se negaram’, diz Jefferson
O HB informou nesta quarta-feira (02) que, mesmo com o aval da Justiça, o procedimento ainda não foi realizado porque “a equipe está estudando detalhes do caso”.

Outras religiões aceitam o procedimento:
Católicos, evangélicos e espíritas se dizem a favor de procedimento para salvar vidas; Testemunhas de Jeová falam em tratamentos alternativos

As Testemunhas de Jeová são a única denominação cristã, entre as mais tradicionais, que condena a transfusão de sangue. Na região de Rio Preto, são pelo menos três mil testemunhas de Jeová praticantes.
Para acompanhar casos como o do aposentado internado na UTI do Hospital de Base, membros da religião criaram a Colh (Comissão de Ligação com os Hospitais). Integrantes da comissão visitam hospitais em todo o país, expondo a posição dos fiéis e cadastrando cirugiões que operam pacientes sem reposição de sangue.
“Existe uma lista sigilosa que nós oferecemos aos fiéis. Quando o médico se recusa a operar sem transfusão, nós fornecemos os contatos dos que fazem”, afirma Jefferson Liebana que é ancião [sacerdote] e membro da Colh.
Segundo ele, muitos métodos para evitar a transfusão de sangue já foram desenvolvidos para atender a Testemunhas de Jeová, como a hemodiluisão.
Nesse processo, o paciente recebe grande quantidade de soro para dissolver o sangue e, assim, perder menos plaquetas durante cirurgias.
“Não queremos nos tornar mártires, nem somos suicídas, apenas temos a convicção de obedecer às leis de Deus”, argumenta Jefferson.
Outras religiões / Enquanto as Testemunhas de Jeová se recusam a receber sangue de outras pessoas, denominações evangélicas e a Igreja Católica não veem problemas.
No ano passado, a Diocese de Rio Preto promoveu o “Dia Diocesano de Incentivo à Doação de Sangue”, realizado na Sexta-feira Santa.
“Não há nada na lei de Deus que proíba a pessoa de ajudar o próximo e doar sangue é um ato de caridade”, disse nesta quarta-feira (02) o bispo da Diocese de Rio Preto, dom Paulo Mendes Peixoto.
Quem também não vê problemas em receber transfusão de sangue é o superintendente da regional 2 da Igreja do Evangelho Quadrangular, Claudio de Oliveira.
“A Bíblia diz que a condenação está em consumir o sangue como alimento e não quando é usado em um tratamento” diz.
Para a advogada Sandra Zonari, 42, que é voluntária no Hospital Bezerra de Menezes e espírita kardecista, nenhum procedimento médico deve ser condenado pela fé.
“Todos os procedimentos médicos existentes para salvar a vida de uma pessoa devem ser usados. Não entendemos a transfusão como algo ruim para a espiritualidade”, afirma Sandra.
Outro caso:
Em março do ano passado, o Hospital Austa conseguiu na Justiça autorização para fazer transfusão de sangue em um recém-nascido de 14 dias que tinha dificuldades para respirar. O procedimento foi realizado contra a vontade da família, que é Testemunha de Jeová.

Casos como esses não são tão raros quanto se imagina. Em 2002, o Austa teve de procurar a Justiça para fazer transfusão de sangue em outro bebê cuja família também era Testemunha de Jeová. O caso do aposentado de José Bonifácio é o quarto em que o Hospital de Base precisou ir à Justiça para autorizar a transfusão.

http://www.redebomdia.com.br/Noticias/Dia-a-dia/47137/Juiz+da+2%26ordf;+Vara+Civel++da+cidade+autoriza+transfusao


6 comentários:

  1. Mesmo quando era TJ, eu sabia que se fosse colocada à prova sobre a questão do sangue, não teria coragem de colocar a vida de um ente querido em jogo. Não consigo entender por que ainda continuam com essa proibição! Quando surgirão "novas luzes" para desfazer esse erro? Já não chega de tantas mortes em vão?
    Fico revoltada quando é envolvendo criança! Como pode uma mãe permitir que seu filho(a) não tenha tratamento? Como tirar a oportunidade de viver de alguém que, no futuro, talvez nem queira ser TJ?
    Julie

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  2. Excelente. Parabéns aos profissionais da saúde e da Justiça pela intervenção lúcida.
    poltergeist

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  3. Interessante que ele não menciona diretamente o ato de comer ou de outra maneira ingerir o sangue, antes fala de uma alegada individualidade intransferível deste, ou seja, a proibição bíblica envolveria o processo do sangue de um ser passar a fazer parte do organismo de um outro ser, que atuaria como receptor. Com essas palavras ele contorna duas objeções - de que a Bíblia proíbe o ato de comer e que na transfusão o sangue não passa pelo aparelho digestivo e, portanto, não atua como alimento e de que quando ela foi escrita não existiam transfusões de sangue.

    Mas a proibição da Bíblia, em especial nas Escrituras Hebraicas, enfatizava a santidade da vida, representada pelo sangue, não a santidade do sangue em si. Quando uma pessoa matava um animal para comer deveria mostrar seu respeito pela vida não comendo o sangue. Nas transfusões o doador humano não morre, como todos sabem, não se fere a santidade da vida. Não existe nada na Bíblia sobre o sangue de um ser não poder passar a 'fazer parte do organismo de um receptor'.
    André Félix!

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  4. Amarcon disse

    Na verdade, a questão do sangue, tanto no Velho como no Novo testamento, tem origens em leis sanitárias, que, por tratar-se de uma sociedade teocrática, deveria ter a conotação de uma ordem divina. É o mesmo caso da proibição da carne de animais com patas fendidas, principalmente a carne de porco. Esta proibição se fazia necessária em razão das precarias condições higiênicas em que viviam tais animais, geralmente criados soltos, e se alimentando de todo o tipo de substâncias nocivas à saúde humana. Não esqueçamos que estas leis foram repassadas por Moisés, um homem que, por ter sido criado em palácio real, teve a oportunidade de estudar nas melhores "universidades" da época, estando portanto, muito à frente de seus compatriotas. Podemos citar também o caso da circuncisão, que nada mais era do que uma forma de se evitar doenças penianas, oriundas principalmente pela falta de higiene, resultado do desconhecimento e dos precários recursos da época.

    Penso que, nos nossos tempos, devemos ser suficientemente capazes de entender que, comer sangue de animal (principalmente da forma como era feito na época), não pode ser confundido com tranfusão de sangue, de uma para outra pessoa.
    Acredito que, como foi comentado acima, se realmente o sangue representa a vida, não devemos exitar em repassar um pouco da nossa para alguém que, sem este gesto, estaria fadado a morrer.

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  5. Para quem se consider ex testemunha de Jeova, fico pasmado com tanta falta de informaçao. E ao mesmo tempo feliz por admirar cada vez mais uma religião tão seria,que nao permite que pecadores ou qualquer um faça parte dela. Pra quem conhece a desassociaçao,sabe que eh a melhor maneira de separar o joio do trigo. Nao sou TJ,pois nao me considero tao fiel ao ponto de me batizar,mas conheço a fundo essa religiao,e a Biblia,nao entendo,ou melhor,entendo como pode haver gente tao mal intencionada ao ponto de ficar tacando coisas desse tipo na internet.

    Reflita rapaz,se vc saiu da organizaçao,foi por culpa deles ou sua??

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  6. Concordo plenamente com o comentário de 11 de abril. Vc "dono do blog" parece ter uma revolta muito grande com as Testemunhas de Jeová, por no mínimo ter sido desassociado, pois dveria rever seus conceitos, pois não é a elas que vc vai prestar contas e sim ao Soberano Jeova Deus. Eu tbm nao sou uma TJ pq não levo a fundo tudo isso no qual considero algp muito sério e verdadeiro, sendo assim, não quero correr o risco de ser desassociada, mas conheço os ensinamentos e sabemos que uma transfusão de sangue, pode gerar outras várias doenças ao receptor, uma vez que pode estar contaminado, seja por uma hepatite ou até mesmo uma AIDS. Os médico mesmo sabem disso!!!! Pois um vírus pode demorar anos para se manifestar e com isso negativar qlqur contaminação no sangue.E vc meu caro, reflita!! Coitado de vc, vamos orar!!!

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