sábado, 21 de novembro de 2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

TRANSFUSÕES DE SANGUE: MÉDICOS X TESTEMUNHAS DE JEOVÁ.


Uma menina de 9 anos, com leucemia aguda, precisa de uma transfusão de sangue. Mas os pais, adeptos da religião Testemunhas de Jeová, não autorizam o procedimento. Um aposentado de 84 anos, com pneumonia grave e também testemunha de Jeová, necessita de transfusão, mas, do mesmo modo, a família não dá o aval.

Casos assim são mais comuns do que se pensa no Brasil, e o de Armando Wolff, o aposentado em questão, é o ponto de partida de um inquérito no Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro –em uma investigação que traz à tona o embate entre fé e ciência, o papel do Estado na proteção do cidadão, o dilema moral de médicos e o conflito entre dois direitos fundamentais do homem: à vida e à liberdade de escolha.

Armando Wolff foi internado em 25 de julho de 2010 na Clínica São Lucas, em Macaé, no Norte fluminense. Segundo o prontuário médico, tinha dispneia (falta de ar), arteriosclerose e infecção urinária de repetição, além de anemia crônica. O quadro evoluiu para pneumonia gravíssima. Anêmico e inconsciente, não reagia aos medicamentos, e o hospital tentou que seu filho, Aldo, autorizasse a transfusão de sangue.

Sem autorização do filho, o hospital de Macaé foi à Justiça, argumentando que tinha o dever de salvar o paciente. A transfusão foi autorizada pela Justiça e realizada em 18 de agosto de 2010. Armando Wolff morreu 11 dias depois.

Aldo iniciou, a partir daí, o périplo que deságua no inquérito do MPF. Na ação, ele alega desrespeito à vontade do paciente e cobra "reforço no ensino de medidas alternativas à transfusão de sangue". Wolff não quis dar entrevista. Procurado pela BBC Brasil, seu advogado também não se manifestou.

Ler o inquérito é desenrolar um novelo em um labirinto de fatos e nomes e perceber de que modo se relacionam. Anexado ao inquérito sobre o caso Wolff está o de Luis Augusto do Nascimento, internado em novembro de 2011 no Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), no Rio, para uma cirurgia na coluna. Cardiopata e usuário de marca-passo, Nascimento, testemunha de Jeová, não autorizou a transfusão caso ela fosse necessária.

O Into lhe deu alta, argumentando que a cirurgia oferecia risco de sangramento e que necessitava da autorização para eventual transfusão. Um amigo de Nascimento, Washington Salvioli Salgado, procurou o MPF, que abriu investigação.

Em 2013, o Into informou ao MPF que ofereceu a Nascimento a possibilidade de autotransfusão, ou seja, retirar o próprio sangue do paciente, armazená-lo e usá-lo na cirurgia. Mas Nascimento não foi mais localizado, e o inquérito foi arquivado.

À BBC Brasil, Salvioli disse que o amigo morreu há cerca de um ano, sem ter feito nem a transfusão nem a cirurgia.

Em nota, o o Into informou que realiza de 45 a 55 cirurgias de média e alta complexidade por dia e que 10% delas exigem transfusões de sangue, sendo oferecida a autotransfusão. Mas que é necessário que o paciente ou seu responsável legal autorize o procedimento.
Pela vida de Luana

Do novelo do inquérito do caso Wolff surgem outros casos pelo país. Aos 9 anos, Luana Manske foi internada em 2014 no Cias, hospital da Unimed em Vitória, para se tratar de leucemia linfoide aguda.

Seus pais, testemunhas de Jeová, não assinaram a autorização para a transfusão de sangue, e a Unimed entrou na Justiça. "Como a menina era menor de idade, a Justiça autorizou sem dificuldades", lembra o advogado da Unimed Vitória, Marcelo Devens.

O pai de Luana, o empresário Evanildo Manske, disse que conversou com os médicos sobre os impedimentos que sua religião impõe. Segundo ele, os médicos utilizaram no tratamento hemoderivados fracionados do sangue, ou seja, pequenas quantidades de elementos do sangue.


Este tipo de procedimento é considerado pelas testemunhas de Jeová como "uma questão de consciência", ou seja, o fiel decide se quer ou não aceitar. Para salvar a filha, ele aceitou.


"Os médicos me garantiram que não foi transfusão. Não aceitaria pertencer a uma religião que teria que deixar um filho morrer para agradar a um ser num universo que a gente nunca viu. Não sou um fanático. Quem é pai sabe", afirma.

Luana, aos 10 anos, está quase concluindo o tratamento. Seus pais criaram uma página no Facebook para que amigos possam acompanhar sua recuperação. A família segue como testemunha de Jeová e Luana foi batizada na religião. No ano que vem voltará para a escola.
Questões bíblicas

Criada nos Estados Unidos no fim do século 19, a organização religiosa Testemunhas de Jeová tem 8 milhões de adeptos em 239 países, segundo seu site oficial, e 800 mil no Brasil. Deus recebe o nome de Jeová, e os adeptos seguem a Bíblia, mas não acreditam no princípio da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo unidos num só Deus Todo Poderoso).

Entre suas práticas religiosas está a proibição de que os fiéis se submetam a transfusões de sangue, graças à interpretação que fazem da Bíblia a partir de versículos de vários livros, como Gênesis e Atos dos Apóstolos. Neste último, recomenda-se que o homem se abstenha "de coisas sacrificadas a ídolos, de sangue, do que foi estrangulado e de imoralidade sexual".

O sangue é entendido como sinônimo de vida e a transfusão, como um pecado que corrompe sua pureza.

"A gente não fala em punição para quem descumpre. Mas é a integridade de um princípio que deve ser preservada. A Bíblia não fala em exceção", afirma o engenheiro Guilherme Rabello, membro da Colih (Comissão de Ligação com Hospitais), órgão que a Associação Torre de Vigia, que reúne as testemunhas de Jeová, mantém para acompanhar casos médicos.

Segundo Rabello, estão barradas a transfusão de sangue total e a de qualquer um de seus quatro principais componentes (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas e plasma), porque eles mantêm a simbologia bíblica do sangue. Quanto à terapia com hemoderivados fracionados (receber só a proteína albumina ou o fator Rh, por exemplo), cabe ao fiel decidir.

É a questão de consciência de que falou o empresário Evanildo Manske, pai de Luana. Rabello destaca, no entanto, que a literatura médica mostra procedimentos capazes de reduzir o uso de transfusões.

Resolução

A resolução 1.201/80 do Conselho Federal de Medicina estabelece que, se houver recusa de permitir a transfusão de sangue, o médico, obedecendo ao Código de Ética Médica, deve agir da seguinte forma: se não houver iminente perigo de vida, respeitará a vontade do paciente ou dos responsáveis; se houver iminente perigo de vida, praticará a transfusão mesmo sem consentimento do paciente ou de seus responsáveis.

Em agosto de 2014, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) absolveu da acusação de homicídio um casal de testemunhas de Jeová que proibiu a transfusão de sangue na filha de 13 anos, com grave anemia.

Para os magistrados, os pais não poderiam ser responsabilizados pela morte e os médicos deveriam ter cumprido seu dever apesar da resistência da família. Pela decisão, a invocação religiosa deve ser indiferente aos médicos, que têm o dever de salvar vidas.

O tema segue longe da unanimidade, o que deixa mais difícil o trabalho da procuradora da República Ana Padilha Luciano de Oliveira, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio de Janeiro, onde está hoje o inquérito do caso de Aldo Wolff. Uma audiência pública foi convocada para ouvir as partes.

"O direito à vida inclui uma vida digna, conforme seus princípios. A gente pode achar absurdo abrir mão da possibilidade de viver, mas, para analisar um caso assim, é preciso se despir de conceitos e preconceitos", afirma ela.

Chamado a se pronunciar, o Conselho Federal de Medicina (CFM) informa, em ofício datado de 30 de setembro, que a resolução 1.201 caminha para ser alterada. Foi aprovado em 2014 um parecer do conselheiro Carlos Vital propondo a revogação da 1.201, mas não há prazo para isso. "O CFM aguarda as conclusões das diretrizes orientadoras de seguras indicações de transfusões de sangue."

Tais diretrizes estão sendo elaboradas sob responsabilidade da sua Câmara Técnica de Hematologia e abrangerão todas as circunstâncias de transfusões sanguíneas, inclusive aquelas nas quais estarão envolvidas as questões dogmáticas.

"Após as conclusões, a plenária do CFM fará suas avaliações e emitirá uma pertinente resolução sobre as seguras indicações das transfusões de sangue", afirmou Carlos Vital em e-mail enviado pela assessoria do CFM.

O inquérito do caso Wolff havia sido arquivado em 2013 pelo procurador Alexandre Ribeiro Chaves, sob a argumentação de que o direito à vida deve prevalecer sobre a liberdade religiosa.

Na segunda instância, o procurador regional Rogério Nascimento desarquivou o caso em fevereiro deste ano citando, entre outros argumentos, um emitido em abril de 2010 pelo hoje ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, a pedido da Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro. Barroso considerou legítima a recusa de transfusão de sangue por parte das testemunhas de Jeová, entendendo que a decisão se funda no exercício de liberdade religiosa.

Nascimento alerta ainda para um ponto crucial, o inútil debate sobre a crença: "Não cabe análise sobre a razoabilidade da crença. Fosse assim, acabariam protegidas apenas as convicções religiosas mais ajustadas à conduta social dominante".

Para José Francisco Marques Júnior, médico do Hemocentro da Unicamp, integrante da Comissão de Hematologia do CFM e diretor da Associação Brasileira de Hematologia (ABHH), é necessário também que médicos avaliam a necessidade de transfusões. Ele cita estudos mostrando que 40% das transfusões feitas nos Estados Unidos são desnecessárias – não há dados do Brasil.

"Costumo recomendar uma conversa com o paciente, longe de parentes e líderes religiosos, para que ele entenda as consequências da decisão. O médico existe para salvar vidas. A melhor atitude é a que a consciência indica", afirma.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

INSCREVA-SE NO CANAL DO YOUTUBE DO FÓRUM EX-TESTEMUNHAS DE JEOVÁ!

O canal do YouTube que mostra todos os fundamentalismos religiosos praticados pelas Testemunhas de Jeová. 

Mais de 1500 pessoas inscritas, mais de 70 vídeos com depoimentos, documentários e denúncias.

Desde 2009 atuando contra as intolerâncias religiosas. 


INSCREVA-SE ABAIXO:

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

EX-ADEPTO LANÇA LIVRO: SOFRI ABUSO SEXUAL QUANDO ERA TESTEMUNHA DE JEOVÁ!



Bo Juel abandonou as Testemunhas de Jeová aos 23, depois que o Ancião (equivalente a pastor da igreja) que o havia molestado quando ele era criança foi convidado a voltar para a igreja pela terceira vez. Por sua decisão, Juel foi desassociado (excluído) por sua família, incluindo seu padrasto agressivo. A ele também foi proibido de ver sua filha indefinidamente (e, desde aquela época, seus dois netos). Ele acabou por se tornar um dos fundadores da AAWA: Advocates for Awareness of Watchtower Abuses (em português, algo como: Advogados pela Conscientização dos Abusos da Torre de Vigia), um grupo que lança luz sobre as violações dos direitos humanos feitas por Testemunhas de Jeová. Ele acaba de lançar um livro de memórias chamado The Least of God’s Priorities (A menor das prioridades de Deus), que traz uma visão comovente sobre sua jornada dentro e fora das Testemunhas de Jeová.


No excerto abaixo, Juel lembra de como foi ver o homem que o molestou pregar para uma multidão. Juel se pergunta como pode alguma vez ter acreditado num Deus que permitiria que aquilo acontecesse:


Eu não podia contar a ninguém sobre o que estava acontecendo. Eu não podia dizer nada a ninguém. Eu assisti esse homem mau ficar em pé na frente de um Salão do Reino e pregar sobre moralidade, sobre homens que fazem sexo com homens e outros pecados que pessoas cometeram, agindo como se ele estivesse cheio de justiça. Ele falou à congregação sobre tudo isso ao mesmo tempo em que eu estava sentado lá na platéia, sabendo que tipo de monstro doente ele era.
Eu sabia, e eu sentia que estava sozinho. Eu não podia falar com ninguém sobre isso, porque eu sabia o que ele faria para mim se eu dissesse. Eu tinha passado muitas horas naquele pequeno quarto, sabendo que, se ele quisesse, ele poderia me jogar lá e sumir com a chave, e ninguém jamais me encontraria. Ratos iriam me comer. Eu sabia que aquilo era o que aconteceria se eu contasse a alguém alguma coisa do que estava acontecendo.
O abuso continuou por muitos anos. Eu mal posso me lembrar de alguma coisa desse período da minha vida. Eu tenho todas essas lembranças terríveis e nada mais. Nada bom. Nada agradável, apenas dor e sofrimento e um espírito que quase morreu. Eu lutei para permanecer vivo e são nesses anos, algo que nenhuma criança dessa idade deve ter que fazer. Eu estava sempre com medo.
Ao mesmo tempo, eu comecei a entender o que acreditávamos como Testemunhas de Jeová, e essas crenças me assustaram ainda mais. Acreditávamos sem compaixão que Deus iria matar 99,9% dos seres humanos que vivem. Acreditávamos que fomos escolhidos para sobreviver, e que nós seríamos os únicos sobreviventes. Nós acreditávamos que estávamos melhor do que o resto da humanidade. Nós acreditávamos que Deus tinha escolhido a Watchtower Bible and Tract Society of New York para ser sua única organização aqui na terra, que estávamos no caminho certo, e que todo mundo estava errado. Todo o mundo. Nós ainda acreditávamos que Deus pode ler seus pensamentos, e se você peca em sua mente, então você está condenado.
Fico doente ao pensar em todas as noites em que eu estava orando para este deus, pedindo que ele me preservasse vivo. Eu prometi em minhas orações que eu nunca mais teria sequer um único pensamento mau novamente. No entanto, eu nunca lhe pedi para me salvar do abuso. Que razão eu teria para isso? Era um dos anciãos de nossa congregação que estava fazendo isso comigo. Um dos anciãos de Deus, que havia sido nomeado pelo Espírito Santo de Deus para liderar a congregação. Como eu poderia pedir a Deus que fizesse um de seus anciãos parar o que estava fazendo? Isso seria como dizer que o Espírito Santo tinha cometido um erro. O Espírito santo de Deus não comete erros, de modo que quem estava errado era eu, certo? Essa foi minha forma de pensar enquanto garoto, então eu apenas me entreguei ao meu destino e vivi lidando com o abuso todos esses anos. Eu fiquei quieto, até que em algum momento em 1981 toda a barragem dentro de mim simplesmente quebrou.
Posteriormente, Juel contou a sua família sobre que o ancião lhe fez e disse que não queria mais ir para as reuniões. Sua mãe arranjou que ele falasse com um policial, o que não pareceu adiantar de muita coisa.
Mais ou menos um mês depois que o policial esteve em nossa casa, perguntei a minha mãe o que iria acontecer com o homem que fez isso comigo. Ela evitou uma resposta direta, o que significa geralmente que a pessoa está escondendo alguma coisa ou não quer responder. Em vez disso, ela apenas me pediu para perguntar ao meu pai.
Foi o que eu fiz. Meu pai olhou para mim e disse: "Você sabe que, se isso se torna um caso em tribunal, você vai ter que sentar e dizer tudo na frente de um monte de gente, certo?" Eu não respondi. Ele continuou: "Se isto for a tribunal, haverá lá jornalistas com câmeras e eles vão tirar foto de você e colocá-la na primeira página do jornal. Todos os seus colegas vão ver o que aconteceu com você, e você não quer isso, não é? Eu balancei minha cabeça concordando.
Ele continuou: "Eu achei que não. É por isso que não haverá nenhum processo judicial, não haverá jornalistas, e não haverá mais conversa sobre isso, nunca mais. O homem que fez isso com você será desassociado da organização de Jeová. Isso é castigo suficiente. Ele vai morrer se o Armagedom vier amanhã, e você sabe o que acontece com aqueles que morrem no Armagedom, não é? "
Eu apenas balancei a cabeça. Eu sabia muito bem o que aconteceria com aqueles que fossem mortos no Armagedom; eles não teriam segunda chance. Eles iriam morrer pela mão do próprio Deus. Não há retorno para eles. "Então, não haverá julgamento e ele não vai pagar qualquer preço pelo que ele me fez?", perguntei.
"Ah, ele paga quando ele é desassociado do povo de Jeová. Aliás, eu disse que não haveria mais conversa sobre isso." Ele sugeriu com seu corpo que eu desse o fora dali, e foi o que eu fiz.


Você deve apresentá-lo na próxima vez que uma dupla de Testemunhas de Jeová bater na sua porta e querer conversar.

The Least of God’s Priorities agora está disponível online. Não se esqueça de conferir.


Tradução livre de Marcos Souza.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

REPÓRTER PORTUGUESA (ANA LEAL) DETALHA MAIS AINDA SOBRE OS FUNDAMENTALISMOS DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ!




O documentário português "Na sombra do pecado" que mostra os fundamentalismos religiosos das Testemunhas de Jeová em determinadas situações, continua a repercutir no mundo todo. A jornalista Ana Leal foi convidada para um programa de auditório para conversar mais sobre o tema e falar de outras questões que não foram colocadas no documentário.

É muito interessante ver seu depoimento e seu senso de responsabilidade ao mostrar que toda sua pesquisa se baseou em pesquisadores e nas próprias publicações das Testemunhas de Jeová, ou seja, não foi algo criado ou "inventado". 

Confirma que entrou em contato com a liderança das Testemunhas de Jeová em Portugal para convidá-los a participar do documentário, mas em nenhum momento houve uma resposta. 
Por que as lideranças das Testemunhas de Jeová não tiveram coragem de ir ao programa?

Que o leitor use de discernimento! 

Para acessar ao documentário "Na sombra do pecado" clique no link abaixo:

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

DEPOIS DE TODA FAMÍLIA SAIR DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ, AINDA RECEBE TELEFONEMAS E CARTAS DIZENDO QUE ESTÁ ERRADO!




Depois que a família de Rafael Saint-Clair Braga decidiu sair das Testemunhas de Jeová muitas pessoas se emocionaram com seu relato e leram os motivos dessa decisão numa carta que o mesmo colocou disponível na Internet. O Blog Ex-Testemunhas de Jeová abordou isso num post denominado DEPOIMENTO: POR QUE UMA FAMÍLIA TODA SAIU DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ? que vocês podem ler clicando no título acima.

Para a surpresa dele e de sua família, um ancião (equivalente a pastor) da congregação resolveu mandar uma carta tentando mostrar que a decisão deles não foi correta e que deveriam voltar para Jeová (entendam voltar para a organização das Testemunhas de Jeová).

Rafael Saint-Clair Braga não hesitou e fez seu primeiro vídeo detalhando como os líderes das Testemunhas de Jeová tentam de toda forma "policiar" a vida de quem está dentro e de quem sai dessa organização.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

VÍDEO - REPORTAGEM COMPLETA DA TV PORTUGUESA TVI SOBRE OS FUNDAMENTALISMOS RELIGIOSOS DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ!


Conforme anunciado nesse Blog a reportagem "Na sombra do pecado" foi ao ar no domingo 18/10/15. Para assistir toda a reportagem acesse o link abaixo da TV portuguesa TVI.

                                                        Chamada no Jornal português

ASSISTIR A REPORTAGEM COMPLETA ABAIXO:




Um mundo secreto, em que ainda funcionam comissões judicativas, uma espécie de tribunal eclesiástico, presidido por anciãos, um dos mais altos cargos na hierarquia. As ordens são para resolver tudo dentro da organização, mesmo tratando-se de crimes de pedofilia.

Uma investigação TVI, vai mostrar como ocultaram e omitiram crimes ao longo de décadas. Depoimentos inéditos de quem foi vítima e de quem teve cargos importantes na organização.

Mais informações sobre o assunto nos links abaixo:

Fórum Ex-Testemunhas de Jeová

Fan Page Ex-Testemunhas de Jeová

Postagem anterior aqui no Blog Ex-Testemunhas de Jeová

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

IMPERDÍVEL: TV PORTUGUESA FALA SOBRE PEDOFILIA DENTRO DAS CONGREGAÇÕES DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ!




                     UMA GRANDE REPORTAGEM! DIA 18 DE OUTUBRO DE 2015!

São mais de 50 mil em Portugal, 8 milhões em todo o mundo. Falamos das Testemunhas de Jeová, ainda consideradas uma seita, que acreditam que o mundo de Satanás vai acabar e que só elas sobreviverão ao Armagedom.
Dominadas pelo medo de pecar e de ofender Jeová, vivem quase exclusivamente em função da religião.

Um mundo secreto, em que ainda funcionam comissões judicativas, uma espécie de tribunal eclesiástico, presidido por anciãos, um dos mais altos cargos na hierarquia. As ordens são para resolver tudo dentro da organização, mesmo tratando-se de crimes de pedofilia.

Uma investigação TVI, vai mostrar como ocultaram e omitiram crimes ao longo de décadas. Depoimentos inéditos de quem foi vítima e de quem teve cargos importantes na organização.


Reportagem "Na sombra do pecado".

Grande Reportagem sobre as Testemunhas de Jeová em Portugal e no Mundo, a ser emitida na próxima 2ª Feira, dia 18 de Outubro, logo a seguir ao Jornal das 8 da TVI, por volta das 20:00 horas, hora portuguesa com a duração de 45 minutos. 
No horário de Brasília por volta de 16:00 horas.

ASSISTA AQUI:

http://ptcanal.com/tvi-online/
http://tviplayer.iol.pt/direto
http://mytvfree.me/tvi-directo-online
http://www.tvdirecto.com.pt/tv/live/tvi-em-directo.htm


Mais informações:

http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=16&t=17726

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ: O QUE FAZEM QUANDO ACONTECEM CASOS DE PEDOFILIA?


Esta campanha terá como público-alvo tanto os adeptos das Testemunhas de Jeová, como o público em geral que desconhece o modo de funcionamento dessa denominação religiosa. Pretenderá expôr as reais normas e legalismos que regem essa Organização americana com respeito a forma de lidar com casos de abuso sexual de crianças.

Existem dois formatos para o folheto. Um para o público em geral e outro para os adeptos das Testemunhas de Jeová. escolha o seu e divulgue esse material.

BAIXAR FOLHETO PARA O PÚBLICO EM GERAL

http://www.mediafire.com/view/jgvs4e8l0y0c6rb/Abuso_Sexual_e_Testemunhas_de_Jeov%C3%A1-_folheto_para_o_p%C3%BAblico_web.pdf

BAIXAR FOLHETO PARA OS ADEPTOS DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

http://www.mediafire.com/view/3nnshkd33efxf2p/Abuso_Sexual_e_Testemunhas_de_Jeov%C3%A1-_folheto_para_as_TJs_web.pdf

Sobre esse tema acesse nesse Blog:

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E O ABUSO SEXUAL DE CRIANÇAS!


Num esforço inédito entre dissidentes portugueses e brasileiros, que combatem determinados fundamentalismos religiosos das Testemunhas de Jeová, o dia 14/10/2015 ficará marcado por uma campanha de conscientização relativa às políticas organizacionais da Torre de Vigia (representante legal das Testemunhas de Jeová no mundo) com respeito ao abuso sexual de crianças.

Esta campanha terá como público-alvo tanto os adeptos das Testemunhas de Jeová, como o público em geral que desconhece o modo de funcionamento dessa denominação religiosa. Pretenderá expôr as reais normas e legalismos que regem essa Organização americana com respeito a forma de lidar com casos de abuso sexual de crianças.

Caso desejem participar, enviem-me um e-mail ou fiquem atentos para o lançamento aqui no Blog.

Meu e-mail é pascoalreload@gmail.com

Site português com a campanha:

Site brasileiro com um tópico sobre a campanha:
http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=16&t=17704

domingo, 11 de outubro de 2015

SAÍ DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ, PORÉM MINHA FAMÍLIA RARAMENTE FALA COMIGO!


POR KLEBER SOUZA

Bom, gostaria de contar um pouco sobre minha história no mundo das  Testemunhas de Jeová”. Minha mãe começou a estudar com as TJ’s quando eu era pequeno e não demorou muito para que eu e meus irmão também começássemos a ser doutrinados. Meu pai nunca quis saber de estudar, mas nunca se opôs, sempre financiando nossas atividades cristãs e até hoje tem um excelente relacionamento com os irmãos (até emprestando dinheiro para um ancião fazer uma cirurgia). O enredo da história é quase sempre o mesmo para quem desde pequeno faz parte da seita - estuda, progride, batiza – e no meu caso não foi diferente, aos 13 anos já estava batizado e agora era um Testemunha de Jeová aprovada e dedicada. Como todo TJ sabe é proibido ler, estudar ou “flertar” com outras fontes que não seja da Torre de Vigia, mas eu sempre gostei de ler, sou curioso por natureza e num determinado episódio surgiu um alerta sobre algumas coisas. Na mesma época fui desassociado por fornicação e resolvi buscar outras fontes. Me espantei com o tanto de material maravilhoso, diga-se de passagem que tem na internet sobre a história, crenças, doutrinas, escândalos das Testemunhas de Jeová. Eu já estava meio inativo nas reuniões ia de vez em quando, campo (pregação de casa em casa) uma vez por mês e olhe lá, e quando comecei a descobrir a VERDADE sobre a “verdade” ai foi a gota d’água. Escrevi uma carta de dissociação (desligamento voluntário) explicando meu ponto de vista, questionando as muitas facetas obscuras das doutrinas das Torre de Vigia e pedindo meus desligamento. Vi num site, não me lembro qual, que como não poderia conversar com ninguém depois de ser expulso era interessante escolher dois amigos achegados dentro da organização e entregar cópias da carta para que estes ficassem sabendo por mim os reais motivos da saída. Enviei duas cópias a uma amigo (que também estava inativo) e outra a uma grande amiga (que hoje está desassociada). Ele me deu total apoio a minha decisão enquanto minha amiga quis que ao invés de pedir minha saída que eu apenas ficasse inativo. Ouvi a opinião dos dois, porém minha decisão estava tomada, mas não sei como (desconfio que um dos meus irmãos tenha feito) minha mãe descobriu minha carta e um belo dia depois de chegar do trabalho encontro ela aos prantos e tivemos uma longa DR. Como eu já estava mais pra lá do que pra cá no Salão ela implorou para que não entregasse a carta e que permanecesse inativo – maldita hora em que decidi fazer isso.
Fiquei durante alguns anos frequentando esporadicamente as reuniões, serviço de campo nem sabia mais o que era, e assistindo aos Congressos e Assembleias. Com o tempo conheci uma irmã que estava desassociada (termo referente a adeptos expulsos da congregação) e começamos a namorar, eu já não me importava com doutrinas, crenças ou mandamentos a serem seguidos, estava namorando uma pessoa maravilhosa que se fosse católica, espirita, evangélica eu namoraria do mesmo jeito. Porém, nas Testemunhas de Jeová não é assim que funciona: as pessoas não têm direito de escolha e livre arbítrio só na teoria. Quando as pessoas souberam que estava namorando uma desassociada não demorou muito para os anciãos (equivalente a pastor) virem falar comigo.
Eu trabalhava numa empresa que trabalham TJ’s e talvez por isso acho que tenha demorado um pouco – me deixaram de lado por um tempo, mas quando tive um desentendimento profissional com o ancião que era meu chefe não demorou muito para eu ser mandado embora e em questão de dias ter outros anciãos na porta da minha casa querendo saber sobre o meu namoro. Fui contundente em dizer que estava namorando a pessoa e não me interessava a atual situação dela na religião. Questionei algumas coisas sobre a Torre de Vigia, mas eles focam numa argumentação ad hominem querendo julgar minha decisão, e me convocaram para uma “amorosa” comissão judicativa (equivalente a um tribunal eclesiástico), disse que não iria – o que acho que foi um erro, e que estariam livres para se reunir sem a minha presença, o que realmente aconteceu. Alguns dias depois vieram me avisar que seria desassociado e que teria 7 dias para escrever ao escritório caso quisesse apelar da decisão e sei lá mais o que. Não o fiz e foi desassociado. 
Hoje me sinto livre para poder pensar, agir, me posicionar sobre assuntos que antes eu tinha minha base argumentativa somente na bíblia e na interpretação que a Torre de Vigia dá a ela, continuo com minha namorada - que por algum tempo continuou frequentando as reuniões, mas que que com o decorrer dos dias parou de ir – não por influência minha – e sim porquê viu que quando é conveniente para a organização mudam doutrinas antigas com a argumentação de “novas luzes”. 
Apesar de todo o ostracismo que passei e por perder o contato com parte da minha família – tenho um irmão ancião e outro servo ministerial e minha mãe é pioneira regular a mais de 10 anos - não me arrependo, muito menos penso em voltar para esse lugar imundo e obscuro que é essa organização. Minha mãe – nas raras vezes que conversamos – diz que eu ainda sou uma TJ que apenas estou desassociado, será que tem alguma forma mesmo depois de expulso de estar vinculado a essa religião? Se tivesse gostaria muito de tirar meu nome de todos os arquivos, livros ou sei lá o que eles usem para registrar entrada/saída de membros.
Peço desculpas por ter me estendido tanto. Para aqueles que chegaram até o final desse depoimento/desabafo deixo meu agradecimento, o mesmo com a equipe desse fórum que eu acompanho a algum tempo, mas não participava e que agora irei salvar nos favoritos para visitar/participar com mais frequência. Quero dizer para aqueles que ainda estão dentro da Torre por medo, conveniência ou outro motivo que eu os entendo, mas não vale a pena. A vida é só essa e não vale a pena deixar que um grupo dissimulado de velhotes interprete um livro e dite as regras de suas vidas. Criem o terreno, coragem, base sólida e libertem-se dos grilhões que é essa organização.
Muito obrigado.

Depoimento com algumas adaptações. Ler mais ou saber mais sobre as Testemunhas de Jeová acessem o link abaixo:

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

HOSPEDAGENS GRATUITAS EM BETEL PARA PIONEIROS REGULARES: ACABOU!


Mais uma vez agradecemos as nossas fontes por divulgar mais alguns arranjos que estão sendo feitos nessa reformulação econômica da Torre de Vigia (organização dirigida pelos líderes das Testemunhas de Jeová).

Amigos, durante muitos anos a TORRE DE VIGIA teve o arranjo de hospedar pioneiros regulares que completassem dez anos de serviço, lá em Betel. Era uma espécie de "prêmio" pela perseverança ! Era um modo de incentivar os pioneiros a PERMANECEREM no serviço...e muitos quando passavam dos cinco começavam a contar os anos para irem a Betel.

O que é um pioneiro regular das Testemunhas de Jeová? É um evangelizador de tempo integral que dedica 70 horas por mês à obra de pregação, ou seja, muitas vezes arranja empregos de meio período para se dedicar quase que exclusivamente a divulgar a mensagem da Torre de Vigia.

O que é Betel? São instalações que as Testemunhas de Jeová usam no mundo todo para organizar e apoiar a obra de pregação.

E o que aconteceu agora?

Este " AMOROSO " arranjo foi descontinuado!

É interessante ressaltar que a carta é só para o corpo de anciãos que vão comunicar a mudança apenas para os pioneiros com mais de 10 anos no serviço, ou seja, o assunto ainda continuará desconhecido da maioria das Testemunhas de Jeová.

A carta explica:


A TODOS OS CORPOS DE ANCIÃOS
Ref.: Hospedagens em BetelPrezados Irmãos:Nos últimos anos, tem sido um grande privilégio hospedar em Betel os que estão ser-vindo há mais de 10 anos como pioneiros regulares e ser encorajados pelo zelo que demons-tram. — Rom. 1:11, 12.Mas devido aos vários projetos de reforma e construção, estamos com poucas acomo-dações para hóspedes. Assim, não será mais possível atender aos pedidos de hospedagem em Betel feitos pelos que estão servindo há mais de 10 anos como pioneiros regulares.Contudo, as hospedagens que já foram confirmadas pelo Escritório serão mantidas. Por favor, providenciem que os que estão servindo há mais de 10 anos como pioneiros regulares saibam deste ajuste.Nesta oportunidade, desejamos-lhes as ricas bênçãos de Jeová.Seus irmãos,Nota para o corpo de anciãos:Os que desejarem se hospedar em um dos hotéis próximos de Betel poderão consultar a lista clicando aqui ou acessando o jw.org na aba Documentos, opção Fornecedores. No campo Pesquisar digite “hospedagem e alimentação”.

Mais informações:
http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=11&t=17679 

domingo, 4 de outubro de 2015

VÍDEO: DEPOIMENTO DE 62 EX-TESTEMUNHAS DE JEOVÁ! IMPERDÍVEL!



(No Youtube já tem as legendas em português. Basta clicarem em DEFINIÇÕES, escolherem LEGENDAS e seleccionarem Português). 

Nunca devemos nos calar diante das injustiças! O vídeo abaixo contém o depoimento de 62 ex-Testemunhas de Jeová ao redor do mundo com uma mensagem para todos que ainda são Testemunhas de Jeová e que não perceberam o que realmente ocorre dentro dos muros da Torre de Vigia.

Sua mensagem é de amor e de preocupação e com desejo urgente de eliminar alguns "mitos" perpetuados pela Sociedade Torre de Vigia e seu Corpo Governante, sobre o que é realmente um apóstata. Na realidade as Testemunhas de Jeová ou discriminam seus ex-adeptos por ignorá-los através de uma"morte"social ou por considerá-los inimigos dignos de pena e destruição.


Das duas maneiras observamos a tática de controle através do ódio ao inimigo, algo bem relatado no livro 1984 de George Orwell:

Na obra "1984", de George Orwell, há um estranho "ritual" em que as pessoas são obrigadas a participar diariamente. Ele é chamado de "Dois minutos do ódio", e consiste na exibição, em uma teletela, da imagem e da fala de Emanuel Goldstein, que no livro é o líder exilado da oposição ao governo do Big Brother, juntamente com outros opositores do "Partido" (como é chamado o partido do Big Brother, o Ingsoc). Durante os "Dois minutos do ódio", as pessoas são levadas a um estado de exaltação histérica, de muita raiva, de ódio, onde proferem insultos e ameaças contra a imagem sendo exibida na teletela. Algumas vezes os telespectadores partem até mesmo para a agressão física contra o aparelho. Orwell fez com isso uma referência à comum demonização dos inimigos que era utilizada durante a II Guerra Mundial através da mídia.

Referências:

O texto entre aspas explicando os dois minutos de ódio é de autoria de Glauber Ataide.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

DEPOIMENTO: POR QUE UMA FAMÍLIA TODA SAIU DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ?


Depoimento abaixo de Rafael Saint-Clair Braga:

Queridos colegas e amigos, olá!

Esta semana se encerra um longo ciclo em minha vida. Quase todos aqui me conhecem pelo meus trabalhos em pintura, desenho e animação, bem como meus estudos em linguística. Porém, houve um ciclo que ocupou 26 anos de minha vida, desde os meus 6 anos de idade, quando comecei a estudar com as "Testemunhas de Jeová" (em 1990). Uma época em que esta "organização religiosa" tinha uma aparência em nada parecida com a empresa/corporação que se tornou nos últimos 5 anos.

Eu já não era mais feliz, com um sorriso muito tímido e apagado (conforme podem ver na foto). A partir de 2010, percebia uma realidade muito diferente ao meu redor. Comecei a perceber que os irmãos ao meu redor não eram mais os mesmos, com um crescente exercício de "fraternidade" meramente diplomática, insistência em viverem de tal modo que, nitidamente, não os faziam com que tivessem uma vida plena e livre em Cristo Jesus.

Daí, comecei a visitar diversas congregações, tanto na cidade do Rio de Janeiro quanto em outros Estados da Federação: percebia um padrão em que todos eram os mesmos em suas interações com os "irmanados na fé", bem como uma crescente falta de amor genuíno e um exercício muito cínico por parte dos mesmos, chegando a incorrer em uma sociopatia aparente. Não à toa, isso começou a me afetar aos poucos. Percebia que não era mais eu mesmo! Estava apático, desanimado. Daí só foi um pulo, para um organismo humano (e não robótico) começar a apresentar somatizações tanto em nível orgânico quanto mental-emocional.

Em consequência, comecei a ter melancolia, depressão e eventuais crises de pânico. Jamais pude imaginar que a raiz de todo problema estava no elevado processo de inculcamento e doutrinação nociva do que nunca pude imaginar ser uma seita/culto com mecanismos idênticos de extirpação da individualidade e danos à mente. Cada vez que ia às assembleias e congressos percebia que o que era dito ali não fazia sentido! Jeová e Cristo Jesus jamais poderiam ser tão cruéis, tão burocráticos e terem prazer na escravização e sofrimento de seu povo, constituído de muita gente boa, porém ingênua e cega à realidade que as cercavam. Daí, também comecei a perceber que não era apenas eu que estava adoecido.

Os casos de depressão, síndrome do pânico e doenças de natureza nervosa cresciam assustadoramente entre os irmãos em várias congregações. A desculpa sempre previsível e utilizada era a de que eram "reflexos das tensões comum aos últimos dias". Porém, percebia que a maioria dos casos eram consequência de algo a mais que não se reduzia às pressões do mundo exterior e sim de um mecanismo opressivo e de padronização de tudo, inclusive do pensar. Logo, pensei em agir de maneira mais pragmática ao perceber que o problema não estava em mim e sim em uma ideologia nociva e danosa à mente de muitos.

A partir de 2012, decidi ir me afastando deste mecanicismo. Fui me retirando aos poucos das reuniões da congregação, por mais que me dissessem ser um sinal de "fraqueza", e notei que os sintomas e angustia desapareciam. Então, o problema estava dentro das congregações e das assembleias e congressos e, principalmente, no conteúdo do que era discursado e pregado nesses ambientes. Mas, até então, jamais tinha acesso ao que eram etiquetados como "materiais apostatas". Até que em um belo dia, no início do mês de março deste ano (mais precisamente no dia 6 de março), algo me chamou a atenção.

Percebi que na tela do computador havia um thumbnail de um vídeo do site "YouTube" intitulado "A origem das Testemunhas de Jeová". É um documentário de 1986. Foi um pulo para que o assistisse na íntegra e tomasse conhecimento de coisas que jamais poderia imaginar! Daí comecei a investigar a veracidade de tudo o que fui pesquisando, sempre dando margem às duvidas, pois poderiam ser realmente matérias sensacionalistas contra uma minoria. Infelizmente, tudo que pesquisava a respeito se confirmava verdadeiro e assustadoramente chocante. Chorava todas as noites, pois não queria que minha irmã e mãe (também TJs) soubessem de tantas décadas de injustiças, manipulações e sujeiras indescritíveis. A minha preocupação era, principalmente, com minha mãe (já em seus sessenta e com problemas de saúde inerentes a idade).

Foram mais dois meses (abril e maio) “preparando o terreno" para minha irmã caçula e minha mãe para acordarem e revelar os escândalos em doses homeopáticas para facilitar a assimilação de que o que vivemos em tantos anos não se passava de uma mentira, uma grande heresia, uma ilusão. Daí, tudo começou a fazer sentido para mim. Já não tinha episódios depressivos porque já tinha identificado a causa de tudo. Para minha felicidade, me surpreendi com a força e garra de minha mãe! Em uma tarde no início de junho, ela decidiu saber de tudo e pediu para que eu revelasse toda minha pesquisa para ela.

Conclusão, minha mãe disse que nunca poderia viver uma mentira e que não seria conivente com tantas injustiças. Acabou que a minha irmã foi a mais reticente, mas, depois concordou em saber de tudo. Junho, julho e agosto foram meses de muitas pesquisas: horas lendo fontes de vários sites sérios (como JWSurvey, AAWA, JWFacts, dentre outros), bem como vários depoimentos de queridos irmãos dissidentes espalhados pelo mundo. Devoramos o livro “Crises of Concience” de Raymond Franz (minha mãe em 3 dias). Todas as nossas pesquisas apresentam-se reunidas nesta carta. Agradeço imensamente aos queridos "strugglers" (lutadores) Marc Cora Latham (pelo conteúdo de seus canais no YouTube), John Cedars (pelo material disponibilizado no site JWSurvey) e muito, especialmente, ao grande irmão e amigo Osmanito Torres que foi de uma fraternidade, humanidade e amizade que jamais pude experienciar em nenhum "irmão e achegado comigo na 'fé' ". Ele também me ajudou na presente carta (reunião de argumentos e materiais).

Por último, quero agradecer a todos os membros deste grupo que sempre me ajudam ao postarem suas dores, experiências e conselhos. Estamos todos em um mesmo barco. Porém, agora livres em Cristo e, realmente, como filhos de Deus. E também aberto às amizades daqueles que, por ventura, não possuem fé alguma. Imenso apreço a todos. Um grande abraço.

Baixe aqui a carta de Dissociação em PDF:

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

MAIS UMA DERROTA JURÍDICA DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ: JUÍZA GARANTE TRANSFUSÃO EM CRIANÇA COM LEUCEMIA!


Transfusão de sangue em pessoas da religião Testemunhas de Jeová é um assunto bastante polêmico e que recorrentemente é notícia, haja vista que os adeptos da citada religião não aceitam receber sangue de outra pessoa. Mas, e quando se trata da necessidade de uma criança receber sangue como a única forma de ser salva? O que deve prevalecer? O direito a vida ou a crença religiosa?

A família de uma criança, em Vitória/ES, negou o procedimento aos médicos, em razão da religião que eles professam não permitir tal prática. Diante desta situação, uma cooperativa de saúde interpôs uma ação judicial em face da família, sob o argumento de que a única maneira de manter a criança, que já estava internada na UTI pediátrica da cooperativa, viva seria por meio da transfusão de sangue.

Os pais da menor, ao serem citados, não apresentaram defesa, então a juíza Lucianne Keijok Spitz Costa, da 1ª Vara Cível de Vitória, determinou que a realização da transfusão de sangue fosse feita na menor que estava com leucemia.

Segundo a magistrada, os laudos médicos atestavam a gravidade da doença, além da urgente necessidade de realização de transfusão de sangue, ante a baixa taxa de sua hemoglobina, o que seria ainda mais reduzida diante da necessidade de realização de hemodiálise, procedimento este que tende a piorar o quadro de anemia.

A sentença foi fundamentada, ainda, nos artigos 5º e 196 da Constituição Federal, os quais dispõem que é dever do Estado garantir a integridade física, a saúde e o regular desenvolvimento, bem como dos pais quando se tratar de incapazes.

Ademais, o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê em seu artigo 7º que “a criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência”.
 
Fontes da notícia:
 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

AUSTRÁLIA: TESTEMUNHAS DE JEOVÁ ACOBERTARAM MEIO SÉCULO DE ABUSOS SEXUAIS CONTRA CRIANÇAS!

FOTO BERTRAND GUAY/AFP/REUTERS
BCB (iniciais do seu nome) era uma menina quando contou a um ancião (equivalente a pastor) da sua congregação que fora abusada por outro ‘respeitável’ homem de fé. Cerca de 40 anos depois descobriu que Max Horley, o homem a quem confiou as queixas, destruiu todos os registos que envolviam abusos sexuais. Aqueles de que BCB fora vítima e mais de mil outros casos ao longo de seis décadas. O que leva uma igreja a proteger abusadores? Por que a liderança das Testemunhas de Jeová usa dessa política?

Narrogin, que deve o seu nome a um termo indígena, está longe de ser uma daquelas cidades da Austrália que todos os estrangeiros sonham conhecer um dia. Esta semana, o nome da terra saltou para as páginas da imprensa internacional por causa de um crime de abuso sexual que envolve três pessoas e a congregação local das Testemunhas de Jeová.

A vítima é apresentada como BCB, uma mulher de 47 anos que foi abusada no final da década de 1980, quando ainda era uma menina. O agressor chamava-se Bill Neill e era um ancião (equivalente a pastor) da congregação daquela cidade do sul da Austrália. A chave deste longo segredo é o homem que destruiu o relato das queixas de BCB: Max Horley, um dos líderes da congregação de Narrogin das Testemunhas de Jeová, a quem BCB confiou as suas queixas.

Horley esteve esta semana perante a comissão que investiga crimes de abuso sexual na Austrália e as suas declarações abriram a porta para perguntas que ainda não têm resposta. Porque é que um ancião a quem uma adolescente de 15 anos conta que foi vítima de abuso sexual pede à menina que se cale e não comente nada no interior da célula religiosa? Porque é que um homem com responsabilidades morais numa comunidade religiosa destrói os registos com as queixas dessa adolescente, para evitar que no futuro as mulheres dos outros líderes possam ter conhecimento do que passava? Porque é que esse mesmo homem não comunicou o crime às autoridades?

Os fatos

A Austrália tem 22 milhões de habitantes. A maioria da população que assume ter uma religião é cristã, de várias confissões, embora a laicicidade seja dominante. Narrogin, a cidade onde aconteceu o crime que levantou uma teia que esconde outros casos de abuso de crianças, tem quatro milhões de habitantes.

De acordo com o site da SBS [rádio e televisão], há 68 mil Testemunhas de Jeová no sexto maior país do mundo; estes crentes estão distribuídos por 817 congregações de diferentes núcleos urbanos, que em princípio reportarão a uma estrutura central daquela igreja na Austrália.

Atualmente, estima-se que existam oito milhões de Testemunhas de Jeová em todo o mundo, o que só por si mostra que esta igreja de inspiração cristã é uma comunidade minoritária a nível global.

O triângulo BCB/Horley/Neill revelou que ao longo das últimas seis décadas [desde 1950] as Testemunhas de Jeová na Austrália tomaram conhecimento de 1006 casos de abuso sexual. Nunca reportaram nenhuma destas denúncias às autoridades, procurando sempre resolver [ou não] os crimes no interior da comunidade.

O depoimento de Max Horley na comissão de investigação sobre abusos sexuais permitiu saber que foram destruídos todos os registos para evitar que “caíssem em mãos erradas”, dentro ou fora da comunidade. Acresce dizer que eram os veteranos de cada congregação que tinham o poder arbitrário de decidir o que eram/são mãos erradas, atuando assim à margem da lei. 

Funcionamento interno

Ancião é um líder religioso no interior de uma congregação; deverá ser alguém a quem a comunidade reconheça qualidades morais para julgar, aconselhar e prevenir. No caso de BCB, o facrasso deste método foi total. Neill era um ancião e Horley, o homem a quem ela confiou os seus temores, também. O voto de silêncio que lhe foi imposto por Horley fez com BCB carregasse um enorme sentimento de culpa e vergonha durante 32 anos.

Nos últimos anos, tem sido transversal a denúncia de casos de abuso sexual no seio de várias confissões religiosas e instituições de acolhimento de menores. A Igreja Católica não escapou a este drama e só recentemente deu sinais de querer punir os abusadores.

No caso das Testemunhas de Jeová, uma confissão de reduzida dimensão quando comparada com a Igreja Católica, que tem procurado ‘recrutar’ fiéis pelo exemplo dos seus crentes e pela [hoje em desuso] persistência da missionação porta a porta, um crime de abuso sexual seria mais do que suficiente para fazer perder a face de toda uma comunidade.

Bruno Vieira Amaral, autor do ensaio “Aleluia” [editado este ano pela Fundação Francisco Manuel dos Santos], diz que é preciso apurar “quem tinha conhecimento deste e de outros casos de abuso na Austrália: se a congregação local, se a estrutura nacional das Testemunhas de Jeová.

Normalmente, "uma congregação tem três ou quatro anciãos” que de certa forma regulam e administram a vida dos crentes no interior da comunidade local, e a igreja tem uma “estrutura nacional” em cada país, explica Amaral. O suposto era que os anciãos reunissem com a pessoa que cometeu o pecado, e que a procurassem orientar no sentido da expiação desse pecado e da reinserção.

Esta questão é fundamental, porque coloca uma pergunta: os anciãos encaram o abuso sexual de menores como crime ou como pecado? Se o encaram apenas como pecado podem ser tentados a tentar resolver o assunto no interior da congregação, contribuindo assim para que o abusador fique impune perante a lei.

“Há pessoas que são desassociadas (expulsas) das suas congregações”, diz Bruno Vieira Amaral, explicando que desassociado é o termo utilizado para a exclusão de um crente da sua comunidade religiosa por este se ter desviado do padrão moral exigido. “Não é vedada a entrada nos locais de culto” ao desassociado, mas “os outros crentes não podem falar com ele; as próprias famílias são aconselhadas a não falar” também.

O desassociado torna-se assim um ‘pária’ da sua comunidade, que o exclui por ser pecador mas não aciona os mecanismos necessários para que venha a ser punido por crimes cometidos. A noção de pecado sobrepõe-se à de delito. O desassociado pode ser readmitido na congregação “se mostrar arrependimento genuíno".

É provável que o falecido abusador tenha sido repreendido pelos seus pares. No entanto, é preciso saber porque é que os outros “anciãos de Narrogin não denunciaram o crime de Bill Neill às autoridades?”. E é esta a pergunta para a qual Bruno Vieira Amaral quer uma resposta.

Fontes:



sábado, 1 de agosto de 2015

INGLATERRA: BBC NEWS APROFUNDA INVESTIGAÇÃO SOBRE PEDOFILIA ENTRE AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ!


Em Junho deste ano (2015), o Supremo Tribunal da Inglaterra confirmou que a Organização das Testemunhas de Jeová era culpada por abuso sexual cometido por um de seus membros.

A Sociedade de Bíblias e Tratados da Inglaterra (representante legal das Testemunhas de Jeová), falhou em tomar as medidas apropriadas quando seus anciãos (equivalente a pastores congregacionais) ficavam sabendo que um adepto de sua religião era pedófilo. 
Foi o primeiro caso civil no Reino Unido de abuso sexual trazido contra as Testemunhas de Jeová.

Ver caso CLICANDO AQUI!

Caroline Wyatt, correspondente da BBC em Assuntos Religiosos, explora as implicações da decisão da Corte e investiga a explícita política das Testemunhas de Jeová de tentar lidar com as alegações de abuso sexual. 
A Reportagem teve acesso a documentos confidenciais internos, enviados apenas aos anciãos (pastores) congregacionais das Testemunhas de Jeová.

Estes revelam a relutância da Organização em envolver as autoridades seculares em casos onde um crime é cometido por uma Testemunha de Jeová contra outra. Ou seja, existe a tentativa de resolver o "assunto" na própria congregação para que a reputação da Igreja não seja manchada e que o caso não seja divulgado na mídia.

Caroline Wyatt ouviu ex-Testemunhas de Jeová que sofreram abusos e que afirmam que a doutrina da Organização e seus procedimentos permitiram aos criminosos evitar processos judiciais.

Não percam mais uma reportagem demolidora de uma estação de TV e rádio credível, que preza pelo rigor da informação e que mais uma vez mostra como as Testemunhas de Jeová atuam em casos que envolvem abuso sexual de menores.

Áudio completo do programa em inglês:



CRÉDITOS:

Texto adaptado do colega TJ Curioso:

Link oficial 

terça-feira, 21 de julho de 2015

CURTA METRAGEM RETRATA O CONSTRANGIMENTO DE CRIANÇAS, FILHAS DE TESTEMUNHAS DE JEOVÁ, INDO PREGAR DE CASA EM CASA!





É domingo e Pablo com 8 anos de idade tem um convite para uma festa muito especial de uma amiguinha da escola. Mas, Pablo é filho de Testemunhas de Jeová e comemorar aniversários é algo considerado como pagão e demoníaco. 

É domingo e pela primeira vez, Pablo está indo pregar de casa em casa com sua mãe. 

É domingo e atrás de cada porta, há um desafio , um teste , uma surpresa e Pablo é obrigado a ir com sua mãe que acha que o fim do mundo está prestes a ocorrer e que somente pregando a doutrina de sua religião é que ela e quem ouvir será salvo. 

É domingo e mais uma criança filha de pais Testemunhas de Jeová será doutrinada e treinada para achar que somente sua religião é a única certa no universo.

Mais uma criança será constrangida e aterrorizada com a ameaça de que se não fizer esse proselitismo o próprio Deus Jeová a desprezará. Isso é algo cruel!

Mais informações:


116 Festivais / 33 Países / 20 Prêmios.
"Dios por el Cuello", um curta-metragem de José Trigueiros,

segunda-feira, 13 de julho de 2015

LIDERANÇA DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ FALAM SOBRE PEDOFILIA: A CULPA É DOS HOMOSSEXUAIS?



Na mais recente emissão do programa JW Broadcast de Julho de 2015, o mais criticado e polêmico membro do Corpo Governante (liderança) das Testemunhas de Jeová, Anthony Morris III, apareceu perante as câmaras com o propósito de abordar o melindroso assunto do abuso sexual de crianças (ver vídeo no final do texto).

Foram apenas cerca de 9 minutos dedicados a esta temática, numa altura em que inúmeros casos de abuso sexual no seio das Testemunhas de Jeová têm surgido na mídia e tem levado muitas Testemunhas de Jeová sinceras a questionar o que realmente se passa nos bastidores da sua organização religiosa. 

Inúmeras são também ex-Testemunhas de Jeová que acusam a liderança de promover uma política de encobrimento destes casos, bem como de silenciar as vítimas através de ameaças de expulsão, conduzindo à sua total ostracização (por parte dos membros fiéis à religião). Bárbara Anderson e Bill Bowen estão entre os mais determinados denunciantes das políticas organizacionais da Watchtower (Torre de Vigia) com respeito a este assunto.
 

Não nos podemos esquecer que desde o renomado programa Panorama da BBC em 2002, com o tema "Sofrem as criancinhas", em que uma reportagem de investigação revelou ao mundo os graves problemas de abuso sexual em congregações inglesas das Testemunhas de Jeová, vários casos foram levados a tribunal (ver aqui o mais recente). O caso de Candace Conti foi sem dúvida o mais falado.

Para aqueles que pensavam que Anthony Morris III iria abordar este tema de forma sincera e direta, tendo em conta a exposição pública que a organização tem sofrido a este respeito, a frustração foi total.

De forma leviana e irresponsável, Anthony Morris III acusou os homossexuais como grupo, de estarem por detrás dos abusos sexuais infantis que grassam hoje em dia.

Puxando de uma revista Despertai! dos anos 80, enumerou vários artigos que abordavam a chamada "Nova Moralidade". E referindo-se a um dos artigos da revista disse:

"Ela alertava sobre os homossexuais que exploravam e defendiam o direito de usar garotos para o sexo. Tenham vergonha!"

O artigo a que Morris se referia era uma verdadeira peça de propaganda, onde um incidente isolado de redes de prostituição infantil condenada pela sociedade civil foi transformada num artigo contra os homossexuais como grupo. A exploração de tal controvérsia, torna-se assim uma generalização, como que afirmando que todos ou a maioria dos homossexuais são abusadores de crianças. Na prática, é o mesmo que alguém afirmar que por existirem predadores sexuais entre as Testemunhas de Jeová a maioria, senão todas elas, são abusadoras de crianças.

Nada mais ridículo!

Na realidade, ao se ouvir os comentários de Anthony Morris III sobre este assunto (abuso infantil), percebe-se a manobra criada em torno do tema. Mais uma vez, os homossexuais são os culpados!

Na realidade, tal acusação já por anos foi descartada como verídica. Os estudos existentes demonstram que não existe diferença no número de abusadores sexuais gays e os abusadores sexuais heterossexuais.
Numa altura em que os olhos do mundo, tanto da mídia, como da Justiça, estão voltados para as organizações religiosas acusadas de encobrir casos de abuso sexual, (tais como a Igreja Católica e Testemunhas de Jeová), é um verdadeiro "tiro no pé" tentar atirar a culpa para alguém exterior a essas organizações religiosas.

Os abusos sexuais ocorridos ao longo dos anos dentro da religião das Testemunhas de Jeová, não têm sido praticados por homossexuais do "mundo", conforme Morris parece querer afirmar. Esses abusos têm sido praticados por homens (e algumas mulheres), respeitados na congregação. Desde betelitas, anciãos, servos ministeriais, pioneiros e comuns publicadores, são estes que têm sido levados à justiça por tais crimes.

O problema do abuso sexual nas Testemunhas de Jeová, nasce dentro da religião e tem sido alimentado por décadas de inação por parte da liderança da mesma, tendo como grande responsável o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.

Este grupo de homens tem criado verdadeiras barreiras à promoção de políticas organizacionais que protejam de fato as crianças nas congregações. Ao invés disso, têm criado normas que impedem a justiça de atuar nestes casos, colocando a vítima [criança] no lugar de criminoso, partindo do pressuposto que a acusação é infundada e que a menos que haja pelo menos 2 testemunhas do abuso, deve-se "entregar o assunto nas mãos de Jeová".
Excerto do manual de anciãos (KM) que dá orientações em caso de abuso sexual de menores.

Ao invés de admitir tais falhas nos procedimentos internos que vieram alimentar o número de casos de abuso infantil dentro das "muralhas" da Torre de Vigia, Anthony Morris III fez este tipo de declarações:

"Como organização religiosa, nossa determinação é manter uma firme posição contra essa conduta. Estamos decididos a proteger as crianças de qualquer tipo de abuso."

"Nossa posição como organização é que toda a possível vítima ou seus pais nunca devem ser desincentivados de relatar o acontecido às autoridades competentes."

"É evidente que por décadas, proteger as crianças de abuso tem sido prioridade desta organização. Temos orgulho de nossa reputação neste respeito". 

É verdade que por décadas, a Torre de Vigia tem publicado matéria sobre este assunto, até mesmo com conselhos para os pais e filhos, conforme refere Morris.

Mas pode-se levantar as seguintes questões:
  • Será que por uma organização religiosa publicar matéria sobre o abuso sexual infantil, faz dela automaticamente uma organização que protege as suas crianças?  
  •  
  • O que é mais importante? É a publicação de matéria sobre esse assunto (que tem o seu devido mérito), ou ter políticas organizacionais que realmente olhem para o abuso sexual como um crime hediondo e não apenas como um "pecado"?
  •  
  • Como se pode dizer que "por décadas, proteger as crianças de abuso tem sido prioridade desta organização", quando os abusos ocorrem de forma sistemática e são encobertos das autoridades, até mesmo a organização negando fornecer as informações necessárias de modo a criminalizar o abusador?
  •  
  • Pode-se levar a sério uma organização religiosa que afirma proteger as suas crianças, e quando elas mais precisam dela, esconde-se atrás de um batalhão de advogados de modo a isentar-se de toda a responsabilidade no processo ocorrido?
  •  
  • A Organização demonstra preocupação com as crianças quando sabendo da existência de abusadores sexuais na congregação, mantém silêncio sobre o assunto deixando os pais completamente descansados, acreditando que seus filhos estão a salvo de predadores sexuais dentro da congregação?

O cadastro que este organização já carrega consigo, revela que tais palavras são apenas propaganda mentirosa e oca! Centenas de vítimas têm atestado como têm sido levadas perante Comissões Judicativas por acusarem alguém de abuso sexual sem testemunhas (como se as houvesse neste caso!). Muitas foram expulsas da congregação por terem decidido dar o passo corajoso de relatar os abusos às autoridades, apenas para evitar manchar o nome da Organização e levar a que os membros fiéis descartem tais acusações como mera propaganda apóstata.

Foi o que aconteceu no caso de Barbara Anderson e Bill Bowen que decidiram relatar perante as câmaras da BBC aquilo que sabiam sobre o encobrimento de abusos dentro da congregação das Testemunhas de Jeová e da lista secreta, mantida na Sede Mundial em Brooklynn, com mais de 20.000 registos de supostos ou confirmados abusadores sexuais dentro das congregações.

Estas duas Testemunhas de Jeová foram expulsas na véspera do programa ser emitido, de modo a desacreditá-las perante os fiéis.

Será que uma organização religiosa assim merece crédito?
Esta palestra dada por Anthony Morris III, membro do Corpo Governante, é mais um tijolo colocado no muro já por si debilitado que tenta proteger a Organização da enxurrada de escândalos que a assolam.

Espero que esta matéria também sirva para abrir os olhos de mais alguns destes que estão cambaleantes e na dúvida com respeito à Organização das Testemunhas de Jeová.

 
Créditos:
Texto adaptado do colega TJ Curioso.